{"id":3290,"date":"2020-11-10T11:20:45","date_gmt":"2020-11-10T11:20:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/o-diagnostico-das-patentes\/"},"modified":"2020-11-10T11:20:45","modified_gmt":"2020-11-10T11:20:45","slug":"o-diagnostico-das-patentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/o-diagnostico-das-patentes\/","title":{"rendered":"O Diagn\u00f3stico das Patentes"},"content":{"rendered":"<p>Uma das mais acentuadas mudan\u00e7as culturais verificadas no advento do mundo globalizado foi a efetiva consolida\u00e7\u00e3o do conhecimento como catalisador de um novo e mais elevado padr\u00e3o de produtividade e qualidade. Por\u00e9m, para atingir esse patamar e o transformar em par\u00e2metro para todo o seu parque produtivo, conquistando, assim, grau elevado de competitividade, o Brasil precisa avan\u00e7ar de maneira mais r\u00e1pida na \u00e1rea da inova\u00e7\u00e3o e pesquisa.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o Pa\u00eds at\u00e9 cresceu bastante nesse campo. Entretanto, ainda h\u00e1, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s na\u00e7\u00f5es com as quais competimos no com\u00e9rcio internacional, uma distor\u00e7\u00e3o entre o esfor\u00e7o de pesquisa e o n\u00famero de registros de patentes, que \u00e9 um preciso indicador do est\u00e1gio da inova\u00e7\u00e3o no universo produtivo. Nos parece que uma das principais causas do problema no Brasil \u00e9 o distanciamento, ainda grande, entre as universidades e as empresas. Mais do que nunca, \u00e9 essencial que os cientistas e pesquisadores atuem no cerne da produ\u00e7\u00e3o, convertendo conhecimento, descobertas cient\u00edficas e o seu esfor\u00e7o de pesquisa em registros brasileiros de propriedade industrial e intelectual e, sobretudo, em crescimento econ\u00f4mico.  <\/p>\n<p>\u00c9 interessante verificar como se distribuem as patentes entre a academia e as empresas em alguns outros pa\u00edses. A Universidade da Calif\u00f3rnia, que ocupa o primeiro lugar em inova\u00e7\u00e3o dentre as institui\u00e7\u00f5es de ensino superior dos Estados Unidos, aparece apenas no 44\u00ba posto no ranking de registros no pa\u00eds. No Brasil, dentre as primeiras 20 colocadas, o grande destaque \u00e9 para as universidades. Aqui, 83% dos mestres e doutores est\u00e3o na academia e apenas 17%, nas empresas. Na Cor\u00e9ia do Sul, somente 39% encontram-se nas universidades, enquanto o maior n\u00famero trabalha na produ\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o que, em 2003, os coreanos obtiveram 4.132 patentes nos Estados Unidos, os chineses, 424, a \u00cdndia, 355, e o Brasil apenas 180. <\/p>\n<p>A maior aproxima\u00e7\u00e3o entre institui\u00e7\u00f5es de ensino superior e as empresas apresenta bons resultados em todo o mundo. Inclusive no Brasil, h\u00e1 exemplos do quanto esse processo \u00e9 positivo. \u00c9 o caso do F\u00f3rum Permanente das Rela\u00e7\u00f5es Universidade-Empresa (UNIEMP), que vem atuando na viabiliza\u00e7\u00e3o de patentes e a absor\u00e7\u00e3o de resultados de pesquisas pelas empresas h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. Um outro exemplo concreto \u00e9 a Universidade de Campinas (Unicamp) e a Petrobr\u00e1s. Ambas institui\u00e7\u00f5es mant\u00eam coopera\u00e7\u00e3o desde 1987, quando foi criado o Centro de Estudos do Petr\u00f3leo (Cepetro), laborat\u00f3rio que auxilia no desenvolvimento e aplica\u00e7\u00e3o de pesquisas da companhia estatal. Pois bem, desta unidade j\u00e1 sa\u00edram 250 mestres e doutores, hoje atuando na Petrobr\u00e1s, e n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia o fato de ambas as organiza\u00e7\u00f5es ocuparem os dois primeiros lugares no ranking nacional de registro de patentes. <\/p>\n<p>O significado de o Pa\u00eds avan\u00e7ar na \u00e1rea da inova\u00e7\u00e3o, em especial por meio da maior aproxima\u00e7\u00e3o entre universidades e empresas, evidencia-se de modo muito claro na pauta de exporta\u00e7\u00f5es. Os itens de m\u00e9dia e alta tecnologia, ainda pouco recorrentes, destacam-se sobremaneira sobre os demais em termos de valor e gera\u00e7\u00e3o de divisas. Um exemplo encontra-se nas aeronaves da Embraer, cujas vendas externas t\u00eam receita m\u00e9dia anual superior a US$ 2 bilh\u00f5es. E n\u00e3o se deve ater a an\u00e1lise apenas \u00e0 ind\u00fastria, pois a tecnologia tamb\u00e9m agrega diferencial \u00e0s commodities. \u00c9 o caso da soja nacional, cuja produtividade superlativa no mundo foi desenvolvida pelas pesquisas da Embrapa, possibilitando vendas externas de aproximadamente US$ 3 bilh\u00f5es por ano.   <\/p>\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel a necessidade de ampliar os esfor\u00e7os no desenvolvimento mais acelerado das pesquisas, inova\u00e7\u00e3o e registro de patentes, considerando ser a depend\u00eancia tecnol\u00f3gica a armadilha da subservi\u00eancia, num mundo no qual o conhecimento \u00e9 cada vez mais fator de dom\u00ednio econ\u00f4mico. No \u00faltimo Congresso da Ind\u00fastria, organizado pela Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (FIESP), por exemplo, foi proposto ao pr\u00f3ximo governo a garantia de recursos para pesquisa e inova\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de lei. Por\u00e9m, o sucesso efetivo do Brasil no enfrentamento desse desafio depende da atua\u00e7\u00e3o mais articulada do governo, setores produtivos, universidades, institutos de pesquisa e de toda a sociedade. <\/p>\n<p>Fonte: Jo\u00e3o Guilherme Sabino Ometto &#8211; engenheiro (EESC\/USP), vice-presidente da Fiesp, coordenador do Comit\u00ea da Cadeia Produtiva do Agroneg\u00f3cio da entidade e membro do Conselho Universit\u00e1rio da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das mais acentuadas mudan\u00e7as culturais verificadas no advento do mundo globalizado foi a efetiva consolida\u00e7\u00e3o do conhecimento como catalisador de um novo e mais elevado padr\u00e3o de produtividade e qualidade. 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