{"id":3327,"date":"2020-11-10T11:20:45","date_gmt":"2020-11-10T11:20:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/220-anos-depois-a-volta-da-escravidao-a-escravidao-digital\/"},"modified":"2020-11-10T11:20:45","modified_gmt":"2020-11-10T11:20:45","slug":"220-anos-depois-a-volta-da-escravidao-a-escravidao-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/220-anos-depois-a-volta-da-escravidao-a-escravidao-digital\/","title":{"rendered":"220 Anos Depois, a Volta da Escravid\u00e3o: a Escravid\u00e3o Digital"},"content":{"rendered":"<p>Oficialmente, a escravid\u00e3o foi abolida no Brasil pela Lei \u00c1urea em 13 de maio de 1888. Por\u00e9m, 220 anos depois, vivemos um outro tipo de escravid\u00e3o: a escravid\u00e3o digital. A escravid\u00e3o digital n\u00e3o \u00e9 oficial, mas \u00e9 psicol\u00f3gica. As pessoas sentem medo de perder o cr\u00e9dito em seus servi\u00e7os caso n\u00e3o consigam responder a um e-mail no final de semana, em um feriado, ou at\u00e9 nas f\u00e9rias.<br \/>\nUm amigo recentemente se deparou com o seguinte problema: recebeu, em uma bela manh\u00e3, um e-mail dizendo que h\u00e1 tr\u00eas dias um outro funcion\u00e1rio aguardava uma resposta dele, e que, por isso, o projeto estava parado. Detalhe: esse e-mail foi recebido segunda-feira pela manh\u00e3, e o primeiro e-mail com a pergunta foi disparado sexta-feira \u00e0s 20h, ap\u00f3s o expediente.<br \/>\nAs pessoas est\u00e3o cada vez mais impacientes com o tempo de resposta. Disparam um e-mail com uma d\u00favida e, depois de 10 minutos, j\u00e1 vem um segundo e-mail perguntando por que voc\u00ea n\u00e3o respondeu o primeiro!<br \/>\nSe voc\u00ea se programa para viajar no final de semana, o seu chefe logo lhe pergunta: \u201cVoc\u00ea vai estar com o celular? Tem Internet aonde voc\u00ea vai? Voc\u00ea vai levar seu notebook?\u201d.<br \/>\nSe n\u00e3o bastasse tudo isso, j\u00e1 existem servi\u00e7os que mostram em um mapa a sua localiza\u00e7\u00e3o rastreando seu celular. N\u00e3o \u00e9 um servi\u00e7o totalmente preciso, pois n\u00e3o \u00e9 um GPS. Por\u00e9m, \u00e9 precis\u00e3o suficiente para saberem o bairro em que se encontra e se pode se deslocar para a empresa para resolver um problema urgente.<br \/>\nOs smartphones agravaram o problema, porque agora voc\u00ea n\u00e3o pode nem mais dar a desculpa de que n\u00e3o levou o notebook ou que n\u00e3o havia micro no local aonde voc\u00ea foi. Afinal, voc\u00ea pode baixar seus e-mails em seu celular.<br \/>\nAlgumas pessoas est\u00e3o viciadas nestas ferramentas e n\u00e3o conseguem ficar sem consultar o e-mail em seu smartphone. Levam-no para a praia, para a casa de campo, para o clube, enfim, para onde forem.<br \/>\nEm seus quadros mais graves, algumas pessoas ficam irriquietas, suam frio, sentem-se inseguras pelo fato de n\u00e3o estarem conectadas e n\u00e3o conseguirem ver o e-mail. Alguns hot\u00e9is j\u00e1 obrigam seus h\u00f3spedes a deixar seu celular na recep\u00e7\u00e3o e alguns resorts, inclusive, instalaram bloqueadores de celulares, para evitar que as pessoas entrem com seus aparelhos escondidos!<br \/>\nO barateamento dos notebooks e dos roteadores wireless est\u00e1 contribuindo para proliferar as redes dom\u00e9sticas sem-fio. Um amigo relatou que teve uma surpresa ao entrar em seu quarto, porque havia uma placa de \u201cProibido Notebook\u201d. Era uma brincadeira de sua esposa, mas que obviamente tinha um fundo de verdade: ele estava trabalhando at\u00e9 altas horas da noite despachando e-mails em sua cama, em vez de fazer coisas mais interessantes.<br \/>\n\u00c9 impressionante como os h\u00e1bitos mudaram radicalmente nos \u00faltimos anos. Quem tinha, h\u00e1 15 anos, e-mail, celular e Internet banda larga em casa? Hoje, n\u00e3o vivemos mais sem eles. Esta \u00e9 a nova realidade. Um mundo onde temos a conveni\u00eancia e as facilidades trazidas pelas novas tecnologias, mas que, al\u00e9m dos benef\u00edcios, trazem os problemas da perda de privacidade e da invas\u00e3o da vida pessoal com os assuntos de trabalho.<br \/>\nFonte: Adalton M. Ozaki &#8211; coordenador dos cursos de gradua\u00e7\u00e3o em administra\u00e7\u00e3o de empresas da FIAP. Atua h\u00e1 mais de 15 anos no setor de tecnologia de informa\u00e7\u00e3o e atualmente \u00e9 s\u00f3cio-diretor da ADF Consulting.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oficialmente, a escravid\u00e3o foi abolida no Brasil pela Lei \u00c1urea em 13 de maio de 1888. Por\u00e9m, 220 anos depois, vivemos um outro tipo de escravid\u00e3o: a escravid\u00e3o digital. A escravid\u00e3o digital n\u00e3o \u00e9 oficial, mas \u00e9 psicol\u00f3gica. 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