{"id":5188,"date":"2020-11-10T11:20:45","date_gmt":"2020-11-10T11:20:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/a-inovacao-vem-da-necessidade\/"},"modified":"2020-11-10T11:20:45","modified_gmt":"2020-11-10T11:20:45","slug":"a-inovacao-vem-da-necessidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/a-inovacao-vem-da-necessidade\/","title":{"rendered":"A inova\u00e7\u00e3o vem da necessidade"},"content":{"rendered":"<p>Akio Morita conta como era o conturbado Jap\u00e3o do p\u00f3s-guerra. Um Jap\u00e3o destru\u00eddo, sem emprego, sem dinheiro, sem mat\u00e9ria-prima. No trem para T\u00f3quio, onde tentaria trabalhar como professor, ele se perguntava: \u201cComo sobreviver? Quem sabe posso fazer alguma coisa? O que os japoneses precisam agora?\u201d. \u201cTudo\u201d era a resposta mais \u00f3bvia. Mas ao comer um bolinho de arroz que trazia para a viagem, veio a id\u00e9ia: Arroz. \u201cQuem sabe eu n\u00e3o poderia fazer algo para ajudar a cozinhar arroz?\u201d. S\u00f3 que no Jap\u00e3o destro\u00e7ado n\u00e3o havia metal em parte alguma, mas, por ter servido como oficial t\u00e9cnico durante a guerra, ele teve f\u00e1cil acesso aos ent\u00e3o in\u00fateis compartimentos de bombas dos avi\u00f5es. Ele ent\u00e3o pegou os tanques e os reformou para fabricar as primeiras m\u00e1quinas de cozinhar arroz.<\/p>\n<p>Seu segundo produto foi a fita magn\u00e9tica. Morita relata suas dificuldades em encontrar material adequado para servir como fita e como improvisaram papel usado para este fim. Depois extra\u00edram o material magn\u00e9tico, o \u00f3xido de ferro, a partir de ferrite ox\u00e1lico aquecido em frigideiras e pintaram nas fitas com a m\u00e3o. As primeiras grava\u00e7\u00f5es eram horr\u00edveis, mas eles foram aperfei\u00e7oando o produto que acabou culminando com um excelente contrato de fornecimento de fitas para a IBM em 1965.<\/p>\n<p>Esta e outras hist\u00f3rias que Akio Morita conta em seu livro, \u201cMade in Japan\u201d, sobre sua vida e sua empresa, a Sony, lhe d\u00e3o toda a autoridade para afirmar que \u201cTodos podemos ser inovadores quando nossa vida depende daquilo\u201d.<\/p>\n<p>Infelizmente, a maioria das empresas n\u00e3o cultiva a inova\u00e7\u00e3o em seus neg\u00f3cios. Ali\u00e1s, muito pelo contr\u00e1rio. Vemos muitas iniciativas para impedir o processo criativo nas empresas. Larry Farrell, um dos grandes estudiosos do empreendedorismo corporativo, explicou as sete formas de se matar a inova\u00e7\u00e3o na empresa:<\/p>\n<p>1) Eu estou OK, voc\u00ea est\u00e1 OK. Se estamos todos em situa\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel, por que mudar? Por que inovar? Por que querer fazer algo diferente?;<\/p>\n<p>2) Alta dire\u00e7\u00e3o desconectada, que acaba por n\u00e3o estimular um ambiente prop\u00edcio \u00e0 inova\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>3) Falta de contato. As boas id\u00e9ias n\u00e3o v\u00eam da sua cabe\u00e7a. Geralmente v\u00eam do cliente, ou do concorrente. Se voc\u00ea n\u00e3o estiver em contato com eles perder\u00e1 boas fontes de id\u00e9ias;<\/p>\n<p>4) Centralizando tudo. A vis\u00e3o taylorista de administra\u00e7\u00e3o: \u201cEu fa\u00e7o tudo, voc\u00ea n\u00e3o precisa pensar, s\u00f3 obedecer.\u201d;<\/p>\n<p>5) Laborat\u00f3rio distante de tudo. Estar longe do seu mercado significa alto risco de inventar o que ningu\u00e9m quer;<\/p>\n<p>6) Controle total ao Marketing. Quando eles s\u00f3 pensam em melhorar o que j\u00e1 existe e se prendem a paradigmas que impedem o desenvolvimento do esp\u00edrito inovador;<\/p>\n<p>7) Um \u00fanico jeito de fazer as coisas. Quando os processos est\u00e3o cristalizados, os seus executores n\u00e3o conseguem vislumbrar formas diferentes de se fazer as mesmas coisas.<\/p>\n<p>Quem conhece uma anima\u00e7\u00e3o da Pixar\/Disney intitulada \u201cVida de Inseto\u201d, vai se lembrar de um excelente exemplo deste \u00faltimo item. No in\u00edcio do filme, Flick uma formiguinha \u201cinovadora\u201d procura demonstrar as vantagens de um equipamento que ele inventou para facilitar a colheita de gr\u00e3os. \u201cFlick, n\u00e3o temos tempo para isso\u201d, diz uma das formigas. \u201cMas \u00e9 justamente isso! Com a minha ceifadora poderemos ampliar a produ\u00e7\u00e3o e ganhar mais tempo!\u201d, argumenta Flick. \u201cOra, esque\u00e7a isso, largue este tro\u00e7o, volte para a fila e colha os gr\u00e3os como uma formiga\u201d, todos dizem. E ele se vai, frustrado (mas n\u00e3o resignado como se ver\u00e1 ao longo do filme). \u201cCeifadora, hunf! Fazemos a colheita assim desde que eu era uma larvinha!\u201d, diz o mais velho da col\u00f4nia. Alguma semelhan\u00e7a com situa\u00e7\u00f5es que conhecemos?<\/p>\n<p>Mas o maior estimulador da inova\u00e7\u00e3o \u00e9 mesmo a necessidade, como Morita j\u00e1 demonstrou. Outro empreendedor, Larry Hillblom, da DHL, tamb\u00e9m tem hist\u00f3rias para contar. Ao tentar transformar seu trabalho de entregador free-lance em uma companhia, Larry esbarrou nos bancos para obter cr\u00e9dito. Eles simplesmente n\u00e3o acreditavam numa empresa de entregas que n\u00e3o tivesse uma rede formada. Nada mais \u00f3bvio, n\u00e3o? Pois Larry passou ent\u00e3o a viajar aos principais pa\u00edses para recrutar volunt\u00e1rios. No limite da necessidade, perguntou a um motorista de t\u00e1xi em Sidney se ele n\u00e3o gostaria de se tornar o presidente da DHL na Austr\u00e1lia, e ele aceitou. Depois de um ano, com sua \u2018rede\u2019 mundial formada, ele voltou e conquistou a confian\u00e7a do Bank of Am\u00e9rica para iniciar o neg\u00f3cio. Hillblom ensina: \u201cPodemos fazer muito mais em uma hora de crise do que em um m\u00eas de tranquilidade.\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: Administradores.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Akio Morita conta como era o conturbado Jap\u00e3o do p\u00f3s-guerra. Um Jap\u00e3o destru\u00eddo, sem emprego, sem dinheiro, sem mat\u00e9ria-prima. No trem para T\u00f3quio, onde tentaria trabalhar como professor, ele se perguntava: \u201cComo sobreviver? Quem sabe posso fazer alguma coisa? O que os japoneses precisam agora?\u201d. \u201cTudo\u201d era a resposta mais \u00f3bvia. 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