{"id":5363,"date":"2020-11-10T11:20:45","date_gmt":"2020-11-10T11:20:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/a-arte-de-construir-novos-conceitos-inspirando-se-em-velhas-ideias\/"},"modified":"2020-11-10T11:20:45","modified_gmt":"2020-11-10T11:20:45","slug":"a-arte-de-construir-novos-conceitos-inspirando-se-em-velhas-ideias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/a-arte-de-construir-novos-conceitos-inspirando-se-em-velhas-ideias\/","title":{"rendered":"A arte de construir novos conceitos inspirando-se em velhas ideias"},"content":{"rendered":"<p>Em raz\u00e3o da rotina que levo, tenho a oportunidade de estar em contato di\u00e1rio com pessoas que me indicam \u201cqualquer coisa\u201d genial. Cria\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias ou de terceiros que merecem a aten\u00e7\u00e3o devida.<\/p>\n<p>Na maioria das vezes, trata-se de ideias simples, quase \u201c\u00f3bvias\u201d, capazes, por\u00e9m, de resolver problemas aparentemente complexos. O tipo de solu\u00e7\u00e3o que nos leva ao questionamento inato, caracter\u00edstico de situa\u00e7\u00f5es como essa: \u201ccomo n\u00e3o pensei nisso antes\u201d?<\/p>\n<p>Inquieto para saber a resposta da interrogativa acima, decidi realizar uma investiga\u00e7\u00e3o pessoal, expandindo tal pesquisa ao n\u00edvel das artes, da ci\u00eancia e de acontecimentos relevantes que, de alguma forma, influenciaram a hist\u00f3ria da humanidade. Queria descobrir a matriz das ideias dos grandes personagens de todos os tempos, dedicando o meu tempo \u00e0 tentativa de an\u00e1lise dessa origem. <\/p>\n<p>Tal foi minha surpresa ao perceber que, de forma independente ao tempo que tais figuras viveram, a fonte de inspira\u00e7\u00e3o para os seus feitos geniais era sempre a mesma: o passado.<\/p>\n<p>Parece loucura, mas todo o  material que utilizei para fazer esse levantamento (livros, filmes, m\u00fasicas, artigos cient\u00edficos), de algum modo, foi inspirado em exemplares muito parecidos produzidos anteriormente.<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es acima pode suscitar a seguinte indaga\u00e7\u00e3o: ent\u00e3o, todos os grandes g\u00eanios s\u00e3o meros reprodutores e, de certo modo, n\u00e3o mereciam o reconhecimento obtido?<\/p>\n<p>Na minha opini\u00e3o, n\u00e3o.<\/p>\n<p>Observemos, como exemplo, a pr\u00f3pria maneira de perpetua\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana, a chamada reprodu\u00e7\u00e3o sexuada. Ao contr\u00e1rio da maneira vegetativa, c\u00e9lulas de dois indiv\u00edduos diferentes devem se combinar para gerar um novo ser. Esse tipo de reprodu\u00e7\u00e3o \u00e9 o mais importante sob o ponto de vista evolutivo, pois re\u00fane, em um mesmo descendente (filho), fatores origin\u00e1rios de dois indiv\u00edduos (pai e m\u00e3e). Se para a evolu\u00e7\u00e3o do mundo a combina\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica de duas partes diferentes se faz necess\u00e1ria, no mundo das ideias, outro tipo de uni\u00e3o se faz essencial. Nada surge \u201cdo nada\u201d.<\/p>\n<p>Cria\u00e7\u00e3o requer influ\u00eancia. No intuito da realiza\u00e7\u00e3o do novo, baseamo-nos no que vimos, bem como nas nossas experi\u00eancias. Tais refer\u00eancias responsabilizam-se pelas adapta\u00e7\u00f5es que, muitas vezes, resultam em ideias novas.<\/p>\n<p>Steve Jobs, o grande g\u00eanio inventivo de nossa \u00e9poca, \u00e9 um bom exemplo dessa corrente de pensamento. No passado, o futuro mestre da Apple tinha aulas de caligrafia no Reed College. E ele pr\u00f3prio afirmou: \u201cAprendi sobre como se faz uma boa tipografia. Dez anos mais tarde, quando cri\u00e1vamos o primeiro computador da Macintosh, colocamos tudo isso no Mac. \u00c9 claro que era imposs\u00edvel conectar todos esses fatos olhando para frente naquela \u00e9poca. Voc\u00ea s\u00f3 consegue fazer isso quando olha para tr\u00e1s\u201d.<\/p>\n<p>Para enriquecer tal argumenta\u00e7\u00e3o, tiro o foco do pensamento de uma \u00fanica personalidade e o recoloco em um pa\u00eds inteiro. Embora a China tenha ganhado a fama (merecida) no passado de falsificar grandes marcas, entregando c\u00f3pias baratas e sem qualidade de seus produtos, a realidade atual \u00e9 bem diferente. Entre outros feitos, o grande pa\u00eds do continente asi\u00e1tico j\u00e1 \u00e9 respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o do trem mais r\u00e1pido do mundo, do computador mais veloz e mais avan\u00e7ado j\u00e1 fabricado e, quem diria, por uma das grifes de roupas mais desejadas (e caras) de todo o globo. O segredo para tais realiza\u00e7\u00f5es? Eles esperam.<\/p>\n<p>Eu explico.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o original tem o chamado custo de inova\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, custa muito caro ser o primeiro. Deve-se investir milh\u00f5es em pesquisas, desenvolvimento, prot\u00f3tipos e produ\u00e7\u00e3o para se chegar a um produto in\u00e9dito. Al\u00e9m dessa dificuldade, surge a realidade da c\u00f3pia. O produto original , n\u00e3o raro, \u201csofre\u201d para competir com o pre\u00e7o de um \u201csimilar\u201d. Muitas vezes ser o primeiro n\u00e3o \u00e9 bom. O segundo vai te copiar, melhorar o seu produto e, gra\u00e7as \u00e0 tecnologia, far\u00e1 isso por um pre\u00e7o bem inferior ao seu. Lembra da China?<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 reflex\u00e3o inicial, apesar da linha t\u00eanue que separa a estrutura dessas duas maneiras de se produzir ideias, enxergo uma diferencia\u00e7\u00e3o clara entre a c\u00f3pia como instrumento de replica\u00e7\u00e3o e a combina\u00e7\u00e3o de modelos existentes sendo adaptados e melhorados no intuito de se chegar a um resultado in\u00e9dito.<\/p>\n<p>Com o fim das barreiras comunicacionais \u00e9 in\u00fatil ignorar o que j\u00e1 foi feito. Ficar\u00e1 atrasado aquele que n\u00e3o se aproveitar da quantidade de \u201caprendizado\u201d que pode ser obtida na pesquisa oferecida pela mera observa\u00e7\u00e3o de ideias prontas.<\/p>\n<p>No entanto, deve-se ter na consci\u00eancia que copiar um produto, servi\u00e7o ou uma ideia, sem fazer qualquer altera\u00e7\u00e3o estrutural, com o escopo de enriquecimento, \u00e9, na linguagem popular, piratear (ou seja, crime); basear-se, por\u00e9m, no pr\u00e9-existente, com o intuito de aprender, analisar, copiar e transformar \u00e9 dar um passo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>__<\/p>\n<p>Rodrigo Rocha \u00e9 diretor de marketing da Amil, onde atua tamb\u00e9m na parte de Inova\u00e7\u00e3o. \u00c9 cofundador da One Health, unidade de neg\u00f3cio do grupo Amil voltada ao segmento premium. Foi um dos primeiros executivos do Brasil a se integrar \u00e0 Singularity University, no Vale do Sil\u00edcio, considerada a universidade que cria o futuro. Obteve o MBA em Finan\u00e7as pelo IBMEC. <\/p>\n<p>Fonte: HSM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em raz\u00e3o da rotina que levo, tenho a oportunidade de estar em contato di\u00e1rio com pessoas que me indicam \u201cqualquer coisa\u201d genial. Cria\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias ou de terceiros que merecem a aten\u00e7\u00e3o devida. Na maioria das vezes, trata-se de ideias simples, quase \u201c\u00f3bvias\u201d, capazes, por\u00e9m, de resolver problemas aparentemente complexos. 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