{"id":5593,"date":"2020-11-10T11:20:45","date_gmt":"2020-11-10T11:20:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/como-perpetuar-uma-empresa-familiar\/"},"modified":"2020-11-10T11:20:45","modified_gmt":"2020-11-10T11:20:45","slug":"como-perpetuar-uma-empresa-familiar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/como-perpetuar-uma-empresa-familiar\/","title":{"rendered":"Como perpetuar uma empresa familiar"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 48 anos, quando contratei meus primeiros funcion\u00e1rios, jamais imaginei que um dia teria que pensar no destino da empresa, da fam\u00edlia e do meu pr\u00f3prio. E tamb\u00e9m nunca levei em considera\u00e7\u00e3o o n\u00famero de pessoas que passam pelo mesmo dilema. Como fazer com que as atividades envolvidas naquele sonho quase juvenil, l\u00e1 atr\u00e1s, se transformem em uma organiza\u00e7\u00e3o eficaz e lucrativa que se perpetue e transcenda o pr\u00f3prio criador?<\/p>\n<p>De acordo com estat\u00edsticas do IBGE, quase metade das empresas fecha as portas nos tr\u00eas primeiros anos de exist\u00eancia por falta de planejamento. Mesmo que inconscientemente, todo empres\u00e1rio capaz de escapar dessa triste previs\u00e3o \u00e9 obrigado a encarar uma outra realidade, esta inevit\u00e1vel: sua presen\u00e7a na empresa n\u00e3o ser\u00e1 eterna e ele precisar\u00e1 preparar o terreno para quando este momento chegar.<\/p>\n<p>No meu caso, felizmente, esse pensamento ocorreu h\u00e1 20 anos, paralelamente a uma ideia fixa que eu tinha: deixar um legado para meus filhos e netos, que hoje j\u00e1 somam 14. Este legado deveria ser algo de que eles n\u00e3o somente se orgulhassem, mas que servisse como ponto de partida para a evolu\u00e7\u00e3o e o crescimento de todos. Al\u00e9m disso, eu visava a estimular uma uni\u00e3o familiar que perdurasse por gera\u00e7\u00f5es e chegasse a superar outra estat\u00edstica, a de que apenas cinco empresas sobrevivem de cada 100 abertas ao chegarem na 3\u00ba gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E o que foi que eu fiz? Comecei a preparar o meu sucessor trazendo-o para o pr\u00f3prio universo corporativo, al\u00e9m de preparar a empresa para a sucess\u00e3o. Por que planejar tudo isso com 20 anos de anteced\u00eancia? Porque experi\u00eancia n\u00e3o se adquire em MBAs. H\u00e1 de se percorrer um longo caminho para se ter a vista de l\u00e1. &quot;Nada substitui a experi\u00eancia&quot;, me disse uma vez Alain Belda, na \u00e9poca CEO e Chairman da Alcoa quando lhe perguntei o que de mais importante havia aprendido no comando de milhares de pessoas em todos os cantos do planeta.<\/p>\n<p>E o que poderia ser feito? \u00c9 simples: \u00e9 imposs\u00edvel construir um pr\u00e9dio de cima para baixo. Parece \u00f3bvio, mas algumas empresas t\u00eam ignorado esta lei b\u00e1sica. As funda\u00e7\u00f5es de uma obra, que evoluem por meses e podem dar a impress\u00e3o de que uma constru\u00e7\u00e3o est\u00e1 parada, s\u00e3o a base para um edif\u00edcio s\u00f3lido e duradouro. Sem elas, o pr\u00e9dio vem abaixo quando a estrutura n\u00e3o mais aguenta seu peso. As funda\u00e7\u00f5es, numa empresa, s\u00e3o seus valores e princ\u00edpios. E seu prop\u00f3sito. Funda\u00e7\u00f5es s\u00e3o essenciais &#8211; \u00e9 o ponto de partida, mas n\u00e3o \u00e9 o suficiente. Quantos pr\u00e9dios inacabados a gente v\u00ea por a\u00ed, interrompidos nesta parte inicial do processo de constru\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>E a grande pergunta \u00e9 &quot;o que exatamente deve ser feito para criar um neg\u00f3cio perene?&quot;. Salvo honrosas exce\u00e7\u00f5es, o foco da maioria dos empres\u00e1rios est\u00e1 no dif\u00edcil processo de vender, produzir e entregar. Esse processo se constitui na locomotiva de crescimento de qualquer empresa, claro, e \u00e9 natural que todo mundo se foque nele. Mas s\u00e3o os processos de retaguarda, ou BackOffice, que d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o ao crescimento gerado pelas vendas, que \u00e9 onde tudo come\u00e7a. O problema \u00e9 que o BackOffice n\u00e3o agrega valor ao neg\u00f3cio numa an\u00e1lise superficial, e \u00e9 um processo complexo e trabalhoso. Pelo menos para mim, sempre foi. Estou falando de setores como Administrativo, Financeiro, Tribut\u00e1rio, Trabalhista, DP, Fiscal, Cont\u00e1bil, RH, Infra, TI e Telecom, Trabalhista, Recepcionistas, GRC (Governan\u00e7a, Risco e Compliance), Motoristas e por a\u00ed vai. Eles n\u00e3o t\u00eam o glamour que Vendas e Produ\u00e7\u00e3o t\u00eam, da mesma forma que em um jogo de futebol quem leva os louros s\u00e3o os goleadores. Os goleiros s\u00f3 viram manchete quando levam um frango. Ou quando viram um Rog\u00e9rio Ceni.<\/p>\n<p>Bem, os pol\u00edticos j\u00e1 descobriram isso faz tempo. Recapeiam as ruas in\u00fameras vezes (por que voc\u00ea acha que eles nunca aprovam pavimenta\u00e7\u00e3o de concreto armado, que dura mais de 30 anos sem manuten\u00e7\u00e3o?), mas n\u00e3o investem em projetos de saneamento b\u00e1sico, que n\u00e3o aparecem e n\u00e3o trazem votos. Esgoto n\u00e3o tem glamour. Mas tente ver o que acontece numa empresa quando h\u00e1 um problema de encanamento em um banheiro ou de ar condicionado em uma sala de reuni\u00f5es. Parece pouco, mas na pr\u00e1tica, situa\u00e7\u00f5es simples como essas podem se tornar grandes transtornos.<\/p>\n<p>H\u00e1 20 anos, eu me deparei com esse impasse. E optei pelo caminho inverso. Investi todos os recursos gerados pela pr\u00f3pria empresa, de forma incans\u00e1vel, no fortalecimento da retaguarda. A este investimento se soma a parte mais dif\u00edcil: a constru\u00e7\u00e3o de uma equipe extraordin\u00e1ria, composta de talentos colecionados ao longo de muitos anos.<\/p>\n<p>A melhor parte desta hist\u00f3ria \u00e9 que sucess\u00e3o est\u00e1 acontecendo sem sobressaltos. A transi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 feita por op\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o fatalidade. Passarei o bast\u00e3o para meu filho Ron enquanto estou em plena forma f\u00edsica e mental, podendo ainda atuar como conselheiro por um bom tempo. Assim, concluo dizendo que n\u00e3o existe uma f\u00f3rmula pronta para a quest\u00e3o da sucess\u00e3o, mas existe sim um caminho seguro e saud\u00e1vel que \u00e9 investir no pr\u00f3prio processo, tornando-o sustent\u00e1vel. Creio que assim tudo se tornar\u00e1 mais f\u00e1cil para um desafio \u00e1rduo que muitos empres\u00e1rios t\u00eam confrontado h\u00e1 anos: como perpetuar uma empresa familiar.<\/p>\n<p>Jimmy Cygler \u00e9 CEO da Proxis.<\/p>\n<p>Fonte: ClienteSA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 48 anos, quando contratei meus primeiros funcion\u00e1rios, jamais imaginei que um dia teria que pensar no destino da empresa, da fam\u00edlia e do meu pr\u00f3prio. E tamb\u00e9m nunca levei em considera\u00e7\u00e3o o n\u00famero de pessoas que passam pelo mesmo dilema. 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