{"id":5893,"date":"2020-11-10T11:20:45","date_gmt":"2020-11-10T11:20:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/quando-a-administracao-nao-administra\/"},"modified":"2020-11-10T11:20:45","modified_gmt":"2020-11-10T11:20:45","slug":"quando-a-administracao-nao-administra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/quando-a-administracao-nao-administra\/","title":{"rendered":"Quando a Administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o administra"},"content":{"rendered":"<p>Em serm\u00e3o feito no s\u00e9culo XVII (Serm\u00e3o de Santo Ant\u00f4nio), Padre Ant\u00f4nio Vieira (1608-1697) fez uma men\u00e7\u00e3o ao papel que os pregadores possuem, ou seja, o de impedir a corrup\u00e7\u00e3o da Terra. Nesse mesmo serm\u00e3o, Padre Ant\u00f4nio tamb\u00e9m faz uma cr\u00edtica \u00e0 inefic\u00e1cia da atua\u00e7\u00e3o dos pregadores naquele tempo, citando algumas causas dessa inefic\u00e1cia:<\/p>\n<p>1.  O sal (pregadores) n\u00e3o salga (diz a verdade); <\/p>\n<p>2.  A terra (ouvintes) n\u00e3o se deixa salgar (aceitar a verdade); <\/p>\n<p>3.  Os pregadores agem contra aquilo que pregam;<\/p>\n<p>4.  Os ouvintes preferem agir como os pregadores e agir contra o que estes pregam;<\/p>\n<p>5.  Os pregadores pregam a si e n\u00e3o a Cristo; <\/p>\n<p>6.  Os ouvintes procuram seguir seus pr\u00f3prios apetites.<\/p>\n<p>Por analogia, na Administra\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mesma: n\u00e3o basta ao Administrador ter conhecimento. Tamb\u00e9m s\u00e3o necess\u00e1rias habilidade e atitude na condu\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio aliadas \u00e0 cren\u00e7a no sucesso deste e consubstanciadas com uma conduta \u00e9tica. Essa \u00e9 a ess\u00eancia da profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Por sua vez, o problema de uma decis\u00e3o equivocada se agrava quando proveniente da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, visto que o resultado de suas decis\u00f5es impacta sobre toda a coletividade.<\/p>\n<p>Segundo a nossa Constitui\u00e7\u00e3o Federal preceitua no caput de seu art. 5\u00b0, todos s\u00e3o iguais perante a lei. No entanto, tal igualdade s\u00f3 \u00e9 plenamente alcan\u00e7ada quando se tratam igualmente os iguais e desigualmente os desiguais. Para tanto, o Estado deve efetiv\u00e1-la pelo provimento de direitos socais (justi\u00e7a distributiva) e pelo exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o jurisdicional (justi\u00e7a comutativa).<\/p>\n<p>Contudo, quando observamos a nossa realidade nacional, notamos uma s\u00e9rie de disfun\u00e7\u00f5es que contradizem os postulados constitucionais, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o aos direitos fundamentais (b\u00e1sicos) do ser humano. S\u00e3o casos de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade p\u00fablicas prec\u00e1rias, inseguran\u00e7a p\u00fablica e falta de assist\u00eancia aos desamparados. Some-se a isso a miopia gerencial que se observa na prioriza\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o de gastos p\u00fablicos, tais como os decorrentes de eventos como Copa do Mundo e Olimp\u00edadas, enquanto carecemos de elementos estruturais que conduzam o pa\u00eds ao desenvolvimento sustent\u00e1vel, como infraestrutura adequada de energia el\u00e9trica, telecomunica\u00e7\u00f5es, transporte de cargas e de passageiros e forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos em quantidade e qualidade suficientes para os desafios oriundos desse modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico-social.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica, a nossa Lei Fundamental deixa bem claro em seu art. 144 que se trata de dever do Estado. Por\u00e9m, quando nos deparamos com a sensa\u00e7\u00e3o crescente de inseguran\u00e7a que toma conta dos principais estados-membros brasileiros (S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro), parecem ressoar as palavras de Padre Ant\u00f4nio Vieira em seu Serm\u00e3o de Santo Ant\u00f4nio de que o sal n\u00e3o salga.<\/p>\n<p>Tomemos o caso do Rio de Janeiro. O or\u00e7amento estadual aprovado para este ano prev\u00ea gastos de cerca de R$7,5 bilh\u00f5es de reais para a seguran\u00e7a p\u00fablica, superiores aos gastos previstos para a pasta da sa\u00fade p\u00fablica fluminense, cerca de R$5 bilh\u00f5es. Como consequ\u00eancia desse volume de recursos, as pol\u00edcias civil e militar fluminenses disp\u00f5em de recursos materiais e imateriais similares aos de algumas das principais for\u00e7as policiais do mundo, a come\u00e7ar pelos seus servi\u00e7os de intelig\u00eancia, credenciando o Estado do Rio de Janeiro \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de eventos como Copa do Mundo, Olimp\u00edadas e Jornada Mundial da Juventude. Apesar disso, o Rio de Janeiro possui algumas das comunidades mais perigosas do pa\u00eds, dotadas de n\u00edveis de viol\u00eancia similares aos de zonas de guerra.<\/p>\n<p>Para reiterar os contrastes envolvendo a seguran\u00e7a p\u00fablica fluminense, temos a escalada do tr\u00e1fico de drogas em comunidades n\u00e3o \u201cpacificadas\u201d pelo estado, fruto da migra\u00e7\u00e3o de traficantes expulsos de territ\u00f3rios ocupados por Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora (UPP). Para agravar tal problema de seguran\u00e7a p\u00fablica, observa-se a escalada do tr\u00e1fico de crack, a droga da morte, em regi\u00f5es perif\u00e9ricas da capital e da baixada fluminense, chegando ao extremo de existirem cracol\u00e2ndias a poucos metros de delegacias e postos de policiamento. Em s\u00edntese, o Estado do Rio de Janeiro tem um or\u00e7amento de, aproximadamente, R$12,5 bilh\u00f5es para a\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a e sa\u00fade que salgam cada vez menos devido ao rastro de inseguran\u00e7a, sujeira e degrada\u00e7\u00e3o da sa\u00fade de usu\u00e1rios deixado pela droga da morte.<\/p>\n<p>Diante do exposto, est\u00e1 na hora de n\u00f3s, sociedade civil, governos e empresas, pormos em pr\u00e1tica as palavras de Sua Santidade o Papa Francisco e nos tornamos atores e autores de um mundo melhor. E isso passa pelo desenvolvimento de um senso de alteridade e colabora\u00e7\u00e3o que leve em conta o bem-estar de todos. Somente assim, seremos capazes de desconstruir a cultura de indiferen\u00e7a e construirmos um modelo de desenvolvimento sustent\u00e1vel para o nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Por derradeiro, no que tange \u00e0s disfun\u00e7\u00f5es da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica no exerc\u00edcio de seu poder-dever de agir, tamb\u00e9m \u00e9 dever de cada um de n\u00f3s fiscalizarmos e coibirmos poss\u00edveis desvios da Administra\u00e7\u00e3o. Para tanto, instrumentos como A\u00e7\u00e3o Popular e A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica, sendo esta de iniciativa do Minist\u00e9rio P\u00fablico, est\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do interesse p\u00fablico. Quanto ao papel do Minist\u00e9rio P\u00fablico, sobretudo os estaduais, tamb\u00e9m cabe corresponder ao apoio que a popula\u00e7\u00e3o lhe deu na derrubada da PEC 37 e exigir do Poder P\u00fablico a\u00e7\u00f5es mais efetivas no combate \u00e0 viol\u00eancia e no provimento da justi\u00e7a distributiva.<\/p>\n<p>Um forte abra\u00e7o a todos e fiquem com Deus!<\/p>\n<p>Fonte: Administradores<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em serm\u00e3o feito no s\u00e9culo XVII (Serm\u00e3o de Santo Ant\u00f4nio), Padre Ant\u00f4nio Vieira (1608-1697) fez uma men\u00e7\u00e3o ao papel que os pregadores possuem, ou seja, o de impedir a corrup\u00e7\u00e3o da Terra. Nesse mesmo serm\u00e3o, Padre Ant\u00f4nio tamb\u00e9m faz uma cr\u00edtica \u00e0 inefic\u00e1cia da atua\u00e7\u00e3o dos pregadores naquele tempo, citando algumas causas dessa inefic\u00e1cia: 1. &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/quando-a-administracao-nao-administra\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Quando a Administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o administra&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-5893","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-marketing-promocional"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5893","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5893"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5893\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5893"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5893"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5893"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}