{"id":5963,"date":"2020-11-10T11:20:45","date_gmt":"2020-11-10T11:20:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/inteligencia-de-risco-uma-competencia-essencial-das-organizacoes-que-buscam-a-excelencia\/"},"modified":"2020-11-10T11:20:45","modified_gmt":"2020-11-10T11:20:45","slug":"inteligencia-de-risco-uma-competencia-essencial-das-organizacoes-que-buscam-a-excelencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/inteligencia-de-risco-uma-competencia-essencial-das-organizacoes-que-buscam-a-excelencia\/","title":{"rendered":"Intelig\u00eancia de Risco: uma compet\u00eancia essencial das organiza\u00e7\u00f5es que buscam a excel\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>O prop\u00f3sito de qualquer organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 criar valor para suas partes interessadas. A expectativa de valor a ser criado no futuro \u00e9 afetada por incertezas de v\u00e1rias origens, tornando invi\u00e1vel falar em proje\u00e7\u00e3o de valor sem tamb\u00e9m mencionar a faixa de varia\u00e7\u00e3o esperada dessa proje\u00e7\u00e3o. Risco \u00e9 esse range: o efeito da incerteza nos objetivos (de cria\u00e7\u00e3o de valor) de uma organiza\u00e7\u00e3o, conforme a defini\u00e7\u00e3o da ISO 31.000 e do COSO, os padr\u00f5es de Gest\u00e3o de Risco mais empregados no Brasil e no mundo. <\/p>\n<p>Valor e Risco s\u00e3o irm\u00e3os siameses, tal e qual m\u00e9dia e desvio-padr\u00e3o. A consequ\u00eancia disso \u00e9 \u00f3bvia: toda e qualquer decis\u00e3o tomada pela organiza\u00e7\u00e3o deveria provocar uma reavalia\u00e7\u00e3o do valor a ser criado e do risco a ele atrelado. Se levarmos as premissas do Modelo de Excel\u00eancia da Gest\u00e3o (MEG) da FNQ em considera\u00e7\u00e3o, as altera\u00e7\u00f5es de valor e risco deveriam ser comunicadas \u00e0s partes interessadas.<\/p>\n<p>Gest\u00e3o de Risco \u00e9 o processo empregado para assegurar que tudo isso aconte\u00e7a de forma estruturada, e h\u00e1 muitos anos as organiza\u00e7\u00f5es contam com as diretrizes da ISO 31.000 e do COSO Framework para implantar esse processo. Ali\u00e1s, praticamente todas as grandes empresas de capital aberto no mundo informam em seus relat\u00f3rios p\u00fablicos que t\u00eam Gest\u00e3o de Risco aderente a um desses padr\u00f5es ou a um de seus diversos derivados setoriais.<\/p>\n<p>At\u00e9 aqui, est\u00e1 f\u00e1cil, certo? O problema \u00e9 que, crise ap\u00f3s crise, incidente grave ap\u00f3s incidente grave, a confian\u00e7a das partes interessadas no processo de Gest\u00e3o de Risco esvaneceu-se. Na minha modesta opini\u00e3o, essa descren\u00e7a pode acabar afetando o MEG. <\/p>\n<p>Pelo menos 30% do conte\u00fado do MEG s\u00e3o pura Gest\u00e3o de Risco. \u00c9 s\u00f3 analisar os Crit\u00e9rios de Excel\u00eancia:<\/p>\n<p>6401<\/p>\n<p>Quando atribu\u00edmos uma pontua\u00e7\u00e3o alta a uma organiza\u00e7\u00e3o, sob a \u00f3tica do MEG, estamos reconhecendo sua Gest\u00e3o de Risco como madura e eficaz, fato esse que deve provocar uma reflex\u00e3o para os profissionais que, como eu, labutam diariamente com o MEG..<\/p>\n<p>O principal obst\u00e1culo \u00e0 efic\u00e1cia da Gest\u00e3o de Risco convencional \u00e9 que tendemos a trat\u00e1-la como uma entidade patrulheira ou fiscalizadora, assim como acontecia com a Qualidade antes dos anos 80. Essa constata\u00e7\u00e3o \u00e9 que motivou v\u00e1rios autores (vide coment\u00e1rios sobre bibliografia, ao final do artigo) a empregar o termo Intelig\u00eancia de Risco, em contraponto ao j\u00e1 trivializado Gest\u00e3o de Risco, significando a incorpora\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise de risco em todas as decis\u00f5es e em todas as proje\u00e7\u00f5es de valor da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil de falar e dif\u00edcil de fazer: o desenvolvimento de uma RIO (Risk-Intelligent Organization) n\u00e3o \u00e9 trivial, pois o termo \u201ctodas\u201d usado acima tem o mesmo escopo empregado no MEG,  ou seja, a Intelig\u00eancia de Risco abrange todas as partes interessadas, atividades, produtos e processos na cadeia de valor estendida.<\/p>\n<p>A Gest\u00e3o de Risco em uma RIO possui caracter\u00edsticas marcantes:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 orientada para o futuro: o sistema \u00e9 sens\u00edvel a mudan\u00e7as de cen\u00e1rio e n\u00e3o confia somente em indicadores hist\u00f3ricos, evitando a s\u00edndrome do \u201cisso nunca aconteceu\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; Risco \u00e9 aceito como uma coisa necess\u00e1ria e inevit\u00e1vel para que a cria\u00e7\u00e3o de valor diferenciado seja poss\u00edvel. A organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 antifr\u00e1gil, pois ela aprende e melhora com os pr\u00f3prios erros, os quais s\u00e3o cometidos suficientemente cedo. Tamb\u00e9m aprende, e muito, com os erros dos outros.<\/p>\n<p>&#8211; A an\u00e1lise de risco \u00e9 realista. N\u00e3o h\u00e1 receio ou vergonha de se assumir que h\u00e1 incerteza em uma decis\u00e3o, e a incerteza \u00e9 quantificada explicitamente na forma de risco. Risco escondido \u00e9 considerado o pior tipo de risco na cultura da RIO.<\/p>\n<p>&#8211; A an\u00e1lise de risco est\u00e1 integrada e incorporada aos processos decis\u00f3rios e de Change Management.<\/p>\n<p>&#8211; A Gest\u00e3o de Risco \u00e9 \u00e1gil e adaptativa (nimble). Os especialistas em risco n\u00e3o s\u00e3o vistos como \u201cdr. No\u201d, mas sim como pessoas que ajudam a tomar decis\u00f5es e a projetar valor.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 hol\u00edstica: abrange todos os tipos de valor e de risco, mantendo uma linguagem comum. A Gest\u00e3o de Risco n\u00e3o acontece somente trimestralmente em escrit\u00f3rios que discutem finan\u00e7as corporativas; acontece continuamente, em todas as \u00e1reas da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Promove accountability: parte da premissa de que a responsabilidade por risco \u00e9 de cada gestor e de que haver\u00e1 consequ\u00eancias, positivas ou negativas, no seu reconhecimento.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel e desej\u00e1vel que o Quociente de Intelig\u00eancia de Risco (o grau em que uma determinada organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma RIO) seja medido, seja por um especialista ou por meio de autoavalia\u00e7\u00e3o. As ag\u00eancias de risco j\u00e1 inseriram em seu modus operandi esse tipo de avalia\u00e7\u00e3o, com o fim de enriquecer suas an\u00e1lises de risco, mas ainda n\u00e3o h\u00e1 um m\u00e9todo universal aceito para medir o QIR de uma organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que o QIR pode ser aumentado em cada etapa do processo cl\u00e1ssico de Gest\u00e3o de Risco, por meio do aprimoramento cultural e conceitual e pela inser\u00e7\u00e3o de ferramentas, tais como as exemplificadas na tabela a seguir:<\/p>\n<p>6402<\/p>\n<p>Afirmei, no in\u00edcio deste artigo, que a confian\u00e7a na Gest\u00e3o de Risco havia deteriorado. Isso n\u00e3o significa que as partes interessadas a achem menos relevante \u2013 muito pelo contr\u00e1rio, creio que a tend\u00eancia \u00e9 aumentar o escrut\u00ednio sobre os tipos e a magnitude dos riscos aos quais o valor de uma organiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 exposto.<\/p>\n<p>Uma potencial consequ\u00eancia disso \u00e9 que as organiza\u00e7\u00f5es poder\u00e3o ficar medrosas e supercautelosas (risk averse) al\u00e9m da conta, o que n\u00e3o seria bom, uma vez que ningu\u00e9m cresce e prospera sem correr risco ou errar saudavelmente. \u00c9 a\u00ed que a Intelig\u00eancia de Risco revelar\u00e1 todo seu potencial: mostrar que a organiza\u00e7\u00e3o conhece muito bem seus riscos e que seu sistema de gest\u00e3o lida com eles naturalmente.<\/p>\n<p>Finalmente, uma RIO desenvolve duas compet\u00eancias sagradas das organiza\u00e7\u00f5es que buscam a Excel\u00eancia: a capacidade de integrar e a capacidade de aprender. As partes interessadas agradecer\u00e3o e ficar\u00e3o mais \u2013 bem, digamos&#8230; \u2013 interessadas na organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n<p>Este artigo, embora contenha v\u00e1rios conceitos e acr\u00f4nimos que eu desenvolvi, \u00e9 fortemente influenciado, como n\u00e3o poderia deixar de s\u00ea-lo, pela literatura internacional sobre Risco. Em especial, menciono as seguintes influ\u00eancias relevantes e aproveito para recomendar a leitura:<\/p>\n<p>Financial Darwinism \u2013 Create Value Or Self-Destruct in a World of Risk (Leo M. Tilman, 2009, publicado nos EUA pela John Wiley): influenciou a forma de definir Intelig\u00eancia de Risco, em especial em como ela ajuda a buscar maior valor futuro para a organiza\u00e7\u00e3o. Esse livro explica claramente a crise financeira em que o mundo desenvolvido continua encalacrado, bem como detalha sistem\u00e1ticas para avaliar o valor ajustado a risco de uma organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Antifragile &#8211; Things that Gain from Disorder (Nassim N. Taleb, 2012, publicado nos EUA pela Random House): criou o conceito de \u201csistema antifr\u00e1gil\u201d, que ajuda a explicar os erros passados que levaram a v\u00e1rias crises sist\u00eamicas. Explora como o medo de errar nos torna mais fr\u00e1geis.<\/p>\n<p>Surviving and Thriving in Uncertainty \u2013 Creating the Risk Intelligent Enterprise (Frederick Funston e Stephen Wagner, 2010, publicado nos EUA pela John Wiley): define as principais falhas da Gest\u00e3o de Risco convencional e detalha v\u00e1rias ferramentas para aumentar o QIR da organiza\u00e7\u00e3o. O termo \u201cdr. No\u201d foi emprestado desse livro.<\/p>\n<p>Risk Intelligence \u2013 How to Live with Uncertainty (Dylan Evans, 2012, publicado nos EUA pela Free Press): detalha como medir e incrementar o QIR de um indiv\u00edduo com base em testes e treinamento.<\/p>\n<p>Fonte: Administradores<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O prop\u00f3sito de qualquer organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 criar valor para suas partes interessadas. A expectativa de valor a ser criado no futuro \u00e9 afetada por incertezas de v\u00e1rias origens, tornando invi\u00e1vel falar em proje\u00e7\u00e3o de valor sem tamb\u00e9m mencionar a faixa de varia\u00e7\u00e3o esperada dessa proje\u00e7\u00e3o. Risco \u00e9 esse range: o efeito da incerteza nos objetivos &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/inteligencia-de-risco-uma-competencia-essencial-das-organizacoes-que-buscam-a-excelencia\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Intelig\u00eancia de Risco: uma compet\u00eancia essencial das organiza\u00e7\u00f5es que buscam a excel\u00eancia&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-5963","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-marketing-promocional"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5963","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5963"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5963\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5963"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5963"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5963"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}