{"id":5983,"date":"2020-11-10T11:20:45","date_gmt":"2020-11-10T11:20:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/por-que-e-tao-dificil-inovar\/"},"modified":"2020-11-10T11:20:45","modified_gmt":"2020-11-10T11:20:45","slug":"por-que-e-tao-dificil-inovar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/por-que-e-tao-dificil-inovar\/","title":{"rendered":"Por qu\u00ea \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil inovar?"},"content":{"rendered":"<p>Autora: Gisela Kassoy<\/p>\n<p>H\u00e1 um tempo foi criado um debate, atrav\u00e9s de um grupo no LinkedIn, sobre &quot;qual seria o maior obst\u00e1culo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o?&quot;. Em um m\u00eas, as respostas somaram quase 400. A primeira coisa que constato, ent\u00e3o, tamanha ades\u00e3o ao tema, \u00e9 a aceita\u00e7\u00e3o quase un\u00e2nime de que inovar \u00e9 dif\u00edcil. Ok, f\u00e1cil n\u00e3o \u00e9. Mas uma inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser t\u00e3o dif\u00edcil a ponto de ser evitada, sobretudo quando visualizamos que ela pode valer \u00e0 pena. Ali\u00e1s, ser\u00e1 que umas das dificuldades em inovar n\u00e3o \u00e9 justamente a incapacidade de assegurar o seu sucesso antes de ele acontecer?<\/p>\n<p>Voltemos \u00e0 discuss\u00e3o do LinkedIn: Entre as respostas, quase todas em apenas em uma palavra, 16 mencionavam o medo como maior  obst\u00e1culo, e umas 20 tinham o componente medo embutido, como avers\u00e3o ao risco, preconceito, conservadorismo, etc. Passividade, in\u00e9rcia, indiferen\u00e7a e similares vieram logo depois, seguidos pelas quest\u00f5es mais pr\u00e1ticas, como falta de tempo, dinheiro, planejamento ou excesso de burocracia.<\/p>\n<p>Desprezando as respostas incompreens\u00edveis ou bizarras, ficamos com uma saraivada de quest\u00f5es de cunho comportamental at\u00e9 chegarmos aos obst\u00e1culos concretos. E a comunidade em quest\u00e3o nem \u00e9 de psic\u00f3logos, mas sim de profissionais que atuam com inova\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Mas a quest\u00e3o do medo ter sido citada em primeiro lugar faz sentido: o novo, por defini\u00e7\u00e3o \u00e9 desconhecido, e o ser humano \u00e9 programado para reagir mal ao que n\u00e3o conhece. Programado mesmo: h\u00e1 uma parte do nosso c\u00e9rebro, n\u00e3o a toa chamada de c\u00e9rebro reptiliano, que \u00e9 igualzinha a dos animais. E o que os animais fazem diante do desconhecido? Fogem ou atacam. O que fazem os humanos diante de uma proposta de inova\u00e7\u00e3o? Fogem (&quot;isso n\u00e3o \u00e9 prioridade da empresa&quot;, &quot;n\u00e3o tive tempo para cuidar disso&quot; etc.) ou atacam (&quot;que ideia maluca!&quot;, &quot;de onde vamos tirar o dinheiro para isso?&quot;&#8230;).<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, aqui vai a primeira dica para quem quer disseminar uma inova\u00e7\u00e3o: n\u00e3o deixe seu interlocutor desconfort\u00e1vel, sem entender direito do que se trata, pois a\u00ed ele &quot;solta os bichos&quot;. Leve-o a um patamar menos primitivo, seja pelo lado emocional, apelando para a empatia ou pelo racional, apelando para os benef\u00edcios da inova\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 v\u00e1lido para a apresenta\u00e7\u00e3o de uma inova\u00e7\u00e3o para chefes e colegas, assim como para o texto que um profissional de comunica\u00e7\u00e3o ir\u00e1 fazer para apresentar um produto inovador.<\/p>\n<p>Agora, uma coisa \u00e9 o medo instintivo, outra, completamente diferente, \u00e9 a dificuldade em administrar riscos. Pois \u00e9, em se tratando de inova\u00e7\u00e3o, risco zero n\u00e3o existe, mas existem formas de minimizar ou reverter riscos potenciais de uma ideia.<\/p>\n<p>Criei uma f\u00f3rmula bastante simples para dar uma vis\u00e3o das consequ\u00eancias negativas que uma ideia pode gerar. Basta listar todos os problemas potenciais e depois analisar como cada um deles pode ser evitado, revertido ou compensado. Se a maioria deles n\u00e3o tiver solu\u00e7\u00e3o, a\u00ed sim, pode-se pensar em desistir, mas abandonar uma ideia antes disso pode ser um grande desperd\u00edcio.<\/p>\n<p>Passemos ent\u00e3o para as quest\u00f5es mais palp\u00e1veis: por exemplo, a falta de tempo. Poder\u00edamos alegar que, no caso de um profissional de comunica\u00e7\u00e3o, o tempo que ele leva para fazer um texto inovador n\u00e3o \u00e9 muito maior do que um &quot;Control C, Control V&quot; de seu arquivo mental. E gerar ideias, por si s\u00f3, nem sempre toma tempo, pois elas podem surgir em momentos de n\u00e3o trabalho, como no banho, na pr\u00e1tica de esportes e assim por diante.<\/p>\n<p>Na verdade, o tempo que se precisa para inovar acontece antes e depois da grande ideia: \u00e9 preciso tempo para absorver inputs sobre um produto ou servi\u00e7o, captar as tend\u00eancias do mercado, as necessidades dos clientes. E n\u00e3o apenas tempo. Para alimentar nossas mentes, para que elas gerem as futuras ideias, \u00e9 preciso um estado de relaxamento, nada de culpa por n\u00e3o estar &quot;trabalhando de fato&quot;.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso tamb\u00e9m tempo para formatar e vender ideias realmente inovadoras: tudo o que for diferente do esperado ir\u00e1 demandar exposi\u00e7\u00f5es, explica\u00e7\u00f5es e, por que n\u00e3o, prot\u00f3tipos.<\/p>\n<p>O Google tem uma proposta interessante para seus profissionais: a chamada estrat\u00e9gia do 70\/20\/10. Explicando: 70% do tempo deve ser dedicado aos principais produtos da empresa, 20% do tempo aos servi\u00e7os secund\u00e1rios e os 10% restantes s\u00e3o para a inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se 10% for muito, pode-se tentar 5 ou 2%. O importante \u00e9 que algum tempo seja dedicado de fato, por inteiro, ao processo de inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Falemos de outro recurso precioso: o vil metal. Precisamos de dinheiro para projetos, prot\u00f3tipos, at\u00e9 para convencer pessoas sobre os benef\u00edcios de uma inova\u00e7\u00e3o. Mas, ser\u00e1 que n\u00e3o d\u00e1 para ser criativo e reduzir os custos de implanta\u00e7\u00e3o de uma inova\u00e7\u00e3o? Afinal, uma boa ideia muitas vezes se sobressai pela simplicidade.<\/p>\n<p>Enquanto eu escrevia este artigo, mais tr\u00eas pessoas deram seus palpites no LinkedIn sobre as dificuldades para se inovar. Ningu\u00e9m inovou na resposta. At\u00e9 porque falar sobre como certas coisas atrapalham nossas vidas \u00e9 f\u00e1cil demais.<\/p>\n<p>Dizem que inovar \u00e9 dif\u00edcil. Concordo. Mas nada que umas pitadas de criatividade associadas \u00e0 determina\u00e7\u00e3o n\u00e3o resolva&#8230;<\/p>\n<p>Gisela Kassoy \u00e9 especialista em criatividade, inova\u00e7\u00e3o, ado\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as e programas de ideias.<\/p>\n<p>Fonte: ClienteSA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autora: Gisela Kassoy H\u00e1 um tempo foi criado um debate, atrav\u00e9s de um grupo no LinkedIn, sobre &quot;qual seria o maior obst\u00e1culo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o?&quot;. Em um m\u00eas, as respostas somaram quase 400. A primeira coisa que constato, ent\u00e3o, tamanha ades\u00e3o ao tema, \u00e9 a aceita\u00e7\u00e3o quase un\u00e2nime de que inovar \u00e9 dif\u00edcil. 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