{"id":6066,"date":"2020-11-10T11:20:45","date_gmt":"2020-11-10T11:20:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/produtividade\/"},"modified":"2020-11-10T11:20:45","modified_gmt":"2020-11-10T11:20:45","slug":"produtividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/produtividade\/","title":{"rendered":"Produtividade?"},"content":{"rendered":"<p>Trilh\u00f5es de linhas j\u00e1 foram escritas para ressaltar um dos principais entraves para o crescimento da economia brasileira, desde sempre: produtividade. Claro, h\u00e1 ainda uma lista com pelo menos meia d\u00fazia de fundamentos que precisamos atender para mudar a nossa posi\u00e7\u00e3o comparativa. Infelizmente, algumas dessas r\u00e9guas t\u00eam mais de meio s\u00e9culo e est\u00e3o fora da realidade intr\u00ednseca da economia contempor\u00e2nea. Exemplo? PIB.<\/p>\n<p>A medida da for\u00e7a econ\u00f4mica de um pa\u00eds, pela soma do que produz, consome e investe em 365 dias, \u00e9 um desprop\u00f3sito, pois exclui setores e itens n\u00e3o selecionados no processo metodol\u00f3gico, por defini\u00e7\u00e3o. Basta ver o Brasil: sexta economia, mas em dezenas de outros fatores cruciais estamos entre os \u00faltimos da fila. E a lista n\u00e3o \u00e9 de sup\u00e9rfluos: sa\u00fade, saneamento, educa\u00e7\u00e3o, homic\u00eddios, investimentos, qualidade, produtividade e por a\u00ed vai. Nesse contexto, estar na sexta posi\u00e7\u00e3o como maior economia \u00e9 uma piada ou uma inj\u00faria, conforme o caso.<\/p>\n<p>Quando, nos anos 90, a ONU instituiu o IDH (\u00cdndice de Desenvolvimento Humano), foi para estabelecer um novo conjunto de r\u00e9guas sociais, transversais \u00e0s r\u00e9guas econ\u00f4micas mas que n\u00e3o prescindem destas. A contribui\u00e7\u00e3o tem sido enorme, especialmente para diminuir a preval\u00eancia ditatorial dos indicadores econ\u00f4mico-financeiros e, especialmente, obrigar governos e gestores p\u00fablicos a considerar indicadores sociais e humanos nas decis\u00f5es. Algumas estrat\u00e9gias e a\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os internacionais e at\u00e9 nacionais, j\u00e1 consideram o IDH como fator relevante para definir suas pol\u00edticas e a libera\u00e7\u00e3o de recursos. Mas ainda \u00e9 pouco, muito pouco. O \u201cfator humano\u201d neste in\u00edcio de s\u00e9culo 21, pela velocidade das mudan\u00e7as e da imensa complexidade nas rela\u00e7\u00f5es entre economia e sociedade, ganha dimens\u00e3o gal\u00e1ctica, pois o capitalismo financeiro dominante j\u00e1 prova seus estertores.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria \u00e9 pr\u00f3diga refer\u00eancia quando sobre ela deita-se o olhar em perspectiva e a avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 tridimensional. Do pr\u00e9-capitalismo ao capitalismo financeiro do s\u00e9culo 21, quase dez s\u00e9culos de hist\u00f3ria fornecem muni\u00e7\u00e3o farta para entender os mecanismos de domina\u00e7\u00e3o que vigem. E percebe-se que as linhas de forte esgar\u00e7amento do modelo apontam para mudan\u00e7as que, mesmo sem bola de cristal, estar\u00e3o apontadas at\u00e9 o final da d\u00e9cada. Eu escrevi apontadas, o que n\u00e3o significa consolidadas. \u00c9 fundamental considerar que as mudan\u00e7as jamais ocorrem de forma repentina. O estudo mostra que existe uma engenharia pr\u00f3pria nos processos, e uma mudan\u00e7a cont\u00e9m em seu DNA o gene da pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o, da outra muta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto e como, mais com menos<\/p>\n<p>E o que isso tudo tem a ver com produtividade? Tudo. A produtividade n\u00e3o \u00e9 um enunciado econ\u00f4mico simples ou um fator de produ\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 a refer\u00eancia, ainda que simplificada, para medir \u201cquanto e como\u201d eu produzo e \u201cquanto e como\u201d eu gasto para produzir. As aspas s\u00e3o para salientar o reducionismo, que n\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel na interpreta\u00e7\u00e3o atual. Produtividade vai muito, muito al\u00e9m da simples quantidade f\u00edsica de recursos consumidos para produzir algo, e a sua rela\u00e7\u00e3o quantitativa com o resultado obtido. Produtividade tem a ver com o complexo aparato humano para gerar resultados a partir de um conjunto de insumos. Mais: produtividade tem cada vez mais a ver com as habilidades e as compet\u00eancias humanas para gerar resultados a partir de cada vez menos insumos. Fazer mais com menos, certamente e n\u00e3o necessariamente numa equa\u00e7\u00e3o meramente quantitativa.<\/p>\n<p>As exig\u00eancias humanas crescem na medida dos benef\u00edcios que podem ser obtidos, n\u00e3o das necessidades que precisam ser atendidas. Passar fome para perder peso \u00e9 um exemplo cl\u00e1ssico. Querer o \u00faltimo gadget n\u00e3o tem a ver com alguma necessidade espec\u00edfica, \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o do desejo \u2013 ou da vontade, como queira \u2013 para obter algum benef\u00edcio emocional, social, econ\u00f4mico. E tudo isso tem a ver com acessos, ascens\u00f5es e produtividade. Um agricultor chin\u00eas \u00e9 atra\u00eddo para o meio urbano pela oferta inicial de um ganho maior \u2013 para obter mais benef\u00edcios. L\u00e1 no campo, seu universo era normalmente pequeno e restrito, pela pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o imanente. No novo universo urbano, carregado de informa\u00e7\u00f5es, est\u00edmulos e escadas de acesso, os padr\u00f5es de comportamento e consumo s\u00e3o modificados radicalmente. Claro, tudo \u00e9 pensado e desenhado para gerar mais consumo, inclusive e especialmente no n\u00edvel subliminar.<\/p>\n<p>Novas bagagens essenciais<\/p>\n<p>Diante desse novo contexto, os acessos s\u00e3o chaves de est\u00edmulo para querer mais. O pequeno sal\u00e1rio da ind\u00fastria fornece algumas destas chaves, antes desconhecidas ou pouco entendidas pelo outrora agricultor. Tais chaves s\u00e3o fortemente embaladas e emocionalmente condicionadas para buscar canais de ascens\u00e3o: sociais, econ\u00f4micos, emocionais, sexuais, intelectuais, transcendentais. Tais canais s\u00e3o quase infinitos. \u00c9 quase insano isso. Mas \u00e9 o que nos move desde sempre, com as exce\u00e7\u00f5es de sempre.<\/p>\n<p>Com os acessos e ascens\u00f5es delineados nas novas bagagens essenciais (sociais, emocionais, intelectuais e econ\u00f4micas), o agora trabalhador urbano chin\u00eas come\u00e7a a dominar a l\u00f3gica do sistema: precisa aumentar e\/ou melhorar a sua produtividade, para ampliar e diversificar os canais de acessos e ascens\u00f5es. Esta \u00e9, em ess\u00eancia, a espinha dorsal da mudan\u00e7a da economia chinesa. Grosso modo, trabalhar mais horas \u00e9 o primeiro passo. O segundo, intensificar o trabalho f\u00edsico em cada hora para aumentar o resultado; o terceiro, organizar melhor o trabalho f\u00edsico; o quarto, alterar os processos de trabalho; o quinto, melhorar sua performance f\u00edsica e mental; o sexto, melhorar os processos de trabalho a partir da melhora das performances f\u00edsica e mental\/intelectual; o s\u00e9timo, mudar de fun\u00e7\u00e3o, atividade, trabalho, a partir do desenvolvimento de novas habilidades e compet\u00eancias; o oitavo, otimizar e intensificar todas as interfaces e incrementar novas habilidades e compet\u00eancias para melhorar a produtividade. Da\u00ed em diante, isso n\u00e3o tem fim, literalmente, e segue o mantra: sempre h\u00e1 o que melhorar.<\/p>\n<p>Idiota grandalh\u00e3o e bobalh\u00e3o<\/p>\n<p>Este quadro demonstra o fato: aumentar e\/ou melhorar a produtividade humana \u00e9 resultado direto do incremento quantitativo e qualitativo do aparato intelectual (educacional, informacional, l\u00f3gico), do equipamento emocional (valores, equil\u00edbrio, sociabilidade, adaptabilidade), da melhor performance f\u00edsica multidimensional (for\u00e7a, resist\u00eancia, velocidade, flexibilidade, acuidade). Eu pessoalmente incluo nesta lista a infraestrutura espiritual (valores, cren\u00e7as e fluidez intelectual), que tem a ver com a capacidade para lidar com o que denomino de intang\u00edvel transcendental e que, crescentemente, ainda que vagarosamente, tornou-se uma demanda humana contempor\u00e2nea. Aos \u201cradicais isl\u00e2micos\u201d que acompanham estas linhas, n\u00e3o tem a ver com religi\u00e3o e sim com consci\u00eancia de si.<\/p>\n<p>No caso brasileiro, para que o aumento da produtividade humana seja um fato, as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o extremamente hostis. Apesar de todas as nossas potencialidades, cantadas em prosa e verso pelos governos, m\u00eddias e outras fontes de perf\u00eddias, temos s\u00f3 tamanho. Somos muito mais parecidos com aquele idiota grandalh\u00e3o, bobalh\u00e3o e que faz todo mundo rir, mas dele todos se aproveitam. Duro? Cruel? Nada, gente. Realidade bruta. Somos enganados ou nos enganamos com nossas pequenas ilhotas de sucesso, efici\u00eancia, \u00eaxito que, diga-se de passagem, s\u00e3o exuberantes. Mas s\u00e3o apenas ilhas, raramente arquip\u00e9lagos. Somos tragados e drogados pela m\u00edstica do futebol, da m\u00fasica, das artes, do malabarismo social, da versatilidade emocional. Meia d\u00fazia de \u00edcones da economia, forjam nossa improv\u00e1vel autonomia. O dom\u00ednio ditatorial e imperial dos bancos, transformou-nos (governo e povo) em portentosos pagadores de juros, da\u00ed os crescentes, exorbitantes e escandalosos lucros. Nada mudou e n\u00e3o vai mudar, nem por decreto da Imperatriz ou a imposi\u00e7\u00e3o do seu partido meretriz.<\/p>\n<p>Somos hand made<\/p>\n<p>Est\u00e1 enganado quem imagina cen\u00e1rio diferente. A pr\u00f3pria m\u00eddia faz not\u00e1vel esfor\u00e7o para mostrar e demonstrar nosso fict\u00edcio gigantismo. Somos grandes sim, mas naquilo que n\u00e3o gera valor. Historicamente somos exportadores de commodities. Nada mais. Exce\u00e7\u00f5es \u00e0 regra n\u00e3o cabem, como a Embraer, pois 80% de uma aeronave \u00e9 feita de insumos importados. Somos muito bons montadores de avi\u00f5es. Claro, temos engenharia, design, mas das turbinas aos componentes menos complexos, est\u00e1 l\u00e1 o made in qualquer pa\u00eds, menos Brasil. Somos bons mesmo no hand made, enquanto o mundo caminha para o made in brain. Somos ainda pobres artes\u00e3os num mundo movido pela tecnologia e automa\u00e7\u00e3o, que exige um perfil humano cada vez mais distante do modelo m\u00e3o-de-obra e mais pr\u00f3ximo do c\u00e9rebro-de-obra.<\/p>\n<p>Estamos fadados ao eterno fracasso at\u00e9 pelo cansa\u00e7o. Deitados eternamente em ber\u00e7o espl\u00eandido, somos condicionados a ver s\u00f3 as maravilhas, a maioria fantasias. Nossa economia sofre os estertores da agonia, da falta de sintonia com um mundo em crescente distonia. Nossa engenharia social \u00e9 um desastre nacional. Temos bra\u00e7os, pernas, espermas, mas n\u00e3o temos c\u00e9rebros, mentes e empreendedores mais valentes. Estes s\u00e3o raros, num pa\u00eds que pune o sucesso, a riqueza, a prosperidade, a destreza. Ali\u00e1s, destreza s\u00f3 \u00e9 apreciada quando sin\u00f4nimo de esperteza. E tudo isso vai bater em nossa produtividade e manter nossa passividade. As manifesta\u00e7\u00f5es das ruas mostram isso, pelo atual dom\u00ednio pol\u00edtico dos quarteir\u00f5es pelos valent\u00f5es pagos a peso de ouro, por partidos, grupos organizados, encrenqueiros sintonizados. Compare isso com o que ocorre no exterior, ainda que por naturezas distintas.<\/p>\n<p>O que eu descrevo aqui em linhas tortas \u00e9 amparado por artilharia pesad\u00edssima de dados e fatos enf\u00e1ticos, muitos deles restritos a especialistas da economia, gestores da burocracia ou c\u00e9rebros da academia. Eu me considero um pregador no deserto, mas n\u00e3o sou um inseto. Eu insisto, persisto. Sou agressivo e n\u00e3o sou permissivo. Nosso pa\u00eds est\u00e1 assolado pela permissividade s\u00e1dica meticulosamente implantada na sociedade. Tudo \u00e9 consumido como normal, preparando o terreno para a aceita\u00e7\u00e3o do desastre consensual. N\u00e3o aceito. Sou um guerrilheiro social que atua intensivamente nas trincheiras digitais. Mas prefiro a posi\u00e7\u00e3o de franco-atirador, um sniper altamente treinado que aprendeu a viver isolado, e fazer o meu trabalho gerar alta produtividade. Pra mim, pra voc\u00ea, pra sociedade, pra gerar prosperidade.<\/p>\n<p>Este escrito \u00e9 parte do meu esfor\u00e7o quase insano, sem causar dano. Quero provocar voc\u00ea e ao faz\u00ea-lo provoco a mim. \u00c9 parte do meu exerc\u00edcio intelectual, da minha guerrilha digital. Quero sim transgredir, mas n\u00e3o agredir. Quero sim mudar, mas sem machucar. Preciso agir para n\u00e3o submergir. Vem comigo?<\/p>\n<p>Fonte: Administradores<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trilh\u00f5es de linhas j\u00e1 foram escritas para ressaltar um dos principais entraves para o crescimento da economia brasileira, desde sempre: produtividade. Claro, h\u00e1 ainda uma lista com pelo menos meia d\u00fazia de fundamentos que precisamos atender para mudar a nossa posi\u00e7\u00e3o comparativa. 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