{"id":6131,"date":"2020-11-10T11:20:45","date_gmt":"2020-11-10T11:20:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/o-brasil-muda-de-fisionomia\/"},"modified":"2020-11-10T11:20:45","modified_gmt":"2020-11-10T11:20:45","slug":"o-brasil-muda-de-fisionomia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brindice.com.br\/blog\/o-brasil-muda-de-fisionomia\/","title":{"rendered":"O Brasil muda de fisionomia"},"content":{"rendered":"<p>Autor: Pedro F\u00e9lix Vital Jr.<\/p>\n<p>Como acontece naturalmente em todo processo de crescimento e desenvolvimento, o indiv\u00edduo tende a mudar seus tra\u00e7os, carregando consigo algumas marcas do tempo relacionadas ao amadurecimento. Entretanto, caracter\u00edsticas determinantes em sua g\u00eanese podem necessitar de elementos concretos e tang\u00edveis para justificar mudan\u00e7as de estilo e comportamento.<\/p>\n<p>Dados recentemente publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica, IBGE, apontam, surpreendentemente, o Pa\u00eds num sentido de desenvolvimento humano que, apesar de n\u00e3o acompanhar literalmente semelhan\u00e7as com outras na\u00e7\u00f5es de iguais caracter\u00edsticas, nos d\u00e1 um esp\u00edrito otimista numa perspectiva de aproxima\u00e7\u00e3o nas diferen\u00e7as regionais, favorecendo o reconhecimento e inclus\u00e3o de um grupo populacional marginalizado ao longo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O Brasil conseguiu, ao longo dos \u00faltimos 20 anos, melhorar 11,24% sua expectativa de vida. A regi\u00e3o Nordeste saiu dos piores indicadores (58,25 anos em 1980) chegando \u00e0 margem de  71,2 anos em 2010. Em termos gerais, houve um ganho de 12,95 anos.<\/p>\n<p>Apesar de convivermos com a mol\u00e9stia da dificuldade de acesso  nos mais diversos n\u00edveis de complexidade da assist\u00eancia, gerados pela longa hist\u00f3ria de poucos investimentos e mau gerenciamento, compartilhamos hoje um cen\u00e1rio de car\u00eancias de recursos humanos e estruturais na sa\u00fade que impactam qualquer tentativa de melhora a curto e m\u00e9dio prazos, principalmente quando falamos da maioria dos estados das regi\u00f5es Norte e Nordeste, assim como das periferias das grandes metr\u00f3poles. Ainda assim, tivemos melhoras consider\u00e1veis no que diz respeito \u00e0 taxa de \u00f3bito infantil at\u00e9 um ano de idade, passando o Brasil dos seus 75,8 \u00f3bitos para cada mil crian\u00e7as em 1980 para  16,7 \u00f3bitos nesse mesmo grupo em 2010.<\/p>\n<p>Nesse quesito, a regi\u00e3o Sudeste apresentou a maior taxa de redu\u00e7\u00e3o percentual, enquanto a Nordeste a maior taxa em valores absolutos. Alagoas mant\u00e9m-se com valores aproximados de 30,2 \u00f3bitos por mil habitantes entre 0 e 1 ano, enquanto Santa Catarina apresenta 9,2 (IBGE &#8211; 2010).<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 expectativa de vida at\u00e9 cinco anos de idade, sa\u00edmos do patamar de 84 mortes para cada mil habitantes para 19,4, representando uma redu\u00e7\u00e3o de 76,9%. Na regi\u00e3o Nordeste migramos de uma zona sombria de 120,2 mortes para 26 \u00f3bitos, apresentando queda de 78,3%.<\/p>\n<p>Fatores como melhora na escolaridade, saneamento b\u00e1sico adequado, menor desnutri\u00e7\u00e3o infantojuvenil, maior acesso ao sistema de sa\u00fade e acompanhamento pr\u00e9-natal favoreceram significantemente o quadro atual.<\/p>\n<p>Indicadores relacionados \u00e0 renda per capita tamb\u00e9m mostram tend\u00eancias regionais distintas, sendo a da Regi\u00e3o Sul duas vezes em m\u00e9dia maior que a do Norte e Nordeste. Convivemos com mais de dois milh\u00f5es de brasileiros em situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria plena. Programas governamentais como Brasil sem Mis\u00e9ria e Bolsa Fam\u00edlia, independentemente do quanto possam gerar cr\u00edticas relacionadas ao planejamento, execu\u00e7\u00e3o e perenidade, t\u00eam sua import\u00e2ncia no sentido de dar condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de subsist\u00eancia a um grupo populacional, retirando-os de uma linha cr\u00edtica de pobreza, favorecendo mesmo que de forma singular sua inclus\u00e3o social.<\/p>\n<p>Essa nova face do Brasil traz consigo uma intensifica\u00e7\u00e3o das marcas de senilidade. E um pa\u00eds com aumento da taxa de sobrevida. Logo, com um n\u00famero de idosos que atinge valores m\u00e9dios de 20 milh\u00f5es de habitantes. Dados do IBGE de 2010 reconheceram 449.129 indiv\u00edduos com idade superior ou igual a 90 anos. Apresentamos uma taxa m\u00e9dia de longevidade de 73,4 anos, mas ainda inferior a pa\u00edses latinos, como Argentina (75,8 anos) e M\u00e9xico (76,89 anos), assim como pa\u00edses desenvolvidos, como Reino Unido, Canad\u00e1 e Jap\u00e3o, com 80,75, 80,93 e 82,59 anos, respectivamente.<\/p>\n<p>Segundo o IBGE, em 1980 t\u00ednhamos uma esperan\u00e7a de vida aos 60 anos de mais 16 anos, 4 meses e 6 dias. J\u00e1 em 2010, nessa mesma idade a esperan\u00e7a de vida aumentou para 21 anos e 6 meses. Tamb\u00e9m com base nesses dados apresentamos diverg\u00eancias regionais, com menor expectativa no Maranh\u00e3o (68 anos) e maior no estado de Santa Catarina (75 anos).<\/p>\n<p>A amplia\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a de vida verdadeiramente representa um grande progresso para a sociedade, entretanto como nos preparamos para esse envelhecimento? Como nos preparamos para receber esse novo fen\u00f4meno brasileiro? J\u00e1 temos estrat\u00e9gias de pol\u00edticas p\u00fablicas e de iniciativas privadas que equilibrem suas consequ\u00eancias?<\/p>\n<p>Pa\u00edses desenvolvidos, que j\u00e1 viveram ou ainda convivem com esse contingente populacional reconhecem a grande vit\u00f3ria representada pela melhora dos indicadores de qualidade de vida. Contudo, percebem outros fen\u00f4menos intr\u00ednsecos dessa faixa et\u00e1ria, como a queda da renda familiar ou individual, o isolamento, maior necessidade de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, maior inatividade e depend\u00eancia de terceiros. Consequ\u00eancias econ\u00f4micas s\u00e3o facilmente percebidas pelo aumento das demandas dos gastos p\u00fablicos com aposentadorias, redu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho e crescimento econ\u00f4mico, mudan\u00e7as nos perfis das doen\u00e7as prevalecendo \u00e0s enfermidades cr\u00f4nicas e demenciais, com aumento dos custos do financiamento \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>Apesar dos in\u00fameros contrastes comuns ao Brasil e aos brasileiros, temos que comemorar as etapas conquistadas e nos debru\u00e7armos em busca de novas a\u00e7\u00f5es que proporcionem que jovens e velhos, dependentes ou independentes, que vivam com dignidade no exerc\u00edcio pleno da cidadania.<\/p>\n<p>Pedro F\u00e9lix Vital Jr \u00e9 coordenador do curso de Medicina da Faculdade Santa Marcelina &#8211; FASM<\/p>\n<p>Fonte: ClienteSA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor: Pedro F\u00e9lix Vital Jr. Como acontece naturalmente em todo processo de crescimento e desenvolvimento, o indiv\u00edduo tende a mudar seus tra\u00e7os, carregando consigo algumas marcas do tempo relacionadas ao amadurecimento. 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