Cadê o espetáculo do crescimento?

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Seis anos depois do lançamento de sua primeira versão e com gastos acumulados na casa dos trilhões de reais até este momento, o Programa de Aceleração do Crescimento parece não empolgar muito a plateia com o seu espetáculo do crescimento econômico: chegamos ao terceiro trimestre de 2013 com uma inflação anualizada acima de seu limite superior de controle (6,5%) e com grande probabilidade de crescimento real negativo do PIB para o segundo trimestre deste ano, em função da forte desaceleração da indústria e de um crescimento modesto do setor de serviços.

Diante do exposto, as grandes questões que ficam são:

1. Apesar dos investimentos públicos feitos em infraestrutura por meio do PAC e do PAC 2, por que ainda existem diversos gargalos estruturais que impedem o pleno desenvolvimento das atividades econômicas? E

2. Por que um país que possui o quinto maior mercado consumidor em potencial do mundo não consegue atrair investimentos privados para a formação bruta de capital fixo, a fim de aumentar capacidade produtiva e permitir, assim, que seja atendida a demanda reprimida de uma nova classe média ávida por consumo em quantidade e qualidade?

Em relação ao primeiro questionamento, parece que a resposta está na imprecisão dos planos que sustentam as ações do PAC, pois falta a devida pormenorização dos projetos em carteira no momento de sua concepção, o que resulta em sucessivas revisões de cronogramas e orçamentos desses projetos. Em síntese: por falta de planos de gerenciamento de projetos adequados desde o início, obtém-se menos gastando mais num mesmo período de tempo.

Ainda em relação ao PAC, há que se observar uma predileção por projetos megalomaníacos em detrimento de soluções menos dispendiosas e mais condizentes com as necessidades regionais e locais. Um exemplo disso está na construção de grandes usinas na região norte de nosso país, que sofrem com sucessivos atrasos de cronogramas em decorrência de riscos não previstos ou subestimados, como gargalos logísticos para suprir as obras e ocupações indígenas, quando projetos de pequenas centrais hidrelétricas muito bem poderiam atender as necessidades nacionais com menos investimentos, menos perdas com transmissão de energia elétrica por grandes distâncias (afinal de contas, é o centro-sul o principal mercado consumidor de energia) e menos impactos ambientais.

Quanto ao segundo questionamento levantado, frise-se a insegurança que investidores estrangeiros ainda têm em relação ao nosso país por entenderem que existem constantes mudanças de regras no ambiente de negócios local, como as que vêm ocorrendo nos setores de petróleo e gás e mineração, reduzindo, destarte, o retorno sobre os seus investimentos de longo prazo. Some-se a isso a falta de confiança na equipe econômica que assessora o Governo Federal. Em vista disso, ocorre uma verdadeira farra do boi de capitais especulativos em nosso país, que se aproveitam da inanição da equipe econômica do Governo Federal para lucrarem no curtíssimo prazo.

Por fim, um elemento que é decisivo para a falta de robustez do desenvolvimento econômico (e social) brasileiro é a deficiência de nosso sistema educacional. Nossas escolas públicas carecem de professores, infraestrutura e currículos alinhados com as necessidades de formação de cidadãos conscientes e qualificados para transformar a pátria grande em grande pátria. Faltam escolas técnicas e universidades e sua distribuição é desigual, sendo maior a concentração nas capitais estaduais e menor nas cidades do interior. Além disso, ainda existe distanciamento entre o meio acadêmico e iniciativa privada e sociedade. O resultado dessa soma de fatores é o déficit de formação de mão de obra qualificada para atender o mercado e do surgimento de ilhas de saber, muitas vezes, incapazes de atender as demandas sociais. Isso sem falar no distanciamento de nosso país em relação aos países líderes em inovação tecnológica.

Portanto, urge a cooperação entre Poder Público, empresas e sociedade para planejar, implementar e monitorar ações de curto, médio e longo prazos para conduzir o Brasil ao espetáculo do crescimento que tanto foi alardeado nos últimos anos. Afinal de contas, quando o assunto é desenvolvimento econômico-social, não deve haver espaço para demagogia, já que o resultado de um discurso vazio será sentido por esta e pelas próximas gerações. Conhecimento e boa vontade não faltam dentro e fora da Administração Pública. Basta saber (e querer) contar com as pessoas certas nos lugares certos no tempo certo. A isso, chamamos Administração Pública Gerencial.

Um forte abraço a todos e fiquem com Deus!

Fonte: Administradores

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