A importância da marca para a micro e pequena empresa

O empresário brasileiro, principalmente o dono da micro e pequena empresa, teima em deixar de lado algumas coisas fundamentais para a expansão do seu negócio. Uma delas é o design e a comunicação de sua marca. Infelizmente, os cuidados com a imagem acabam sendo uma daquelas coisas que entram na lista do “resolvo quando crescer”. Mas o fato é que as chances de crescer diminuem consideravelmente quando essa decisão é deixada para o futuro.

Quando se desenvolve um projeto, seja o nome da empresa ou do produto, uma nova palavra é adicionada ao dicionário do nicho de atuação. Esta palavra vai transmitir um significado para o mercado, agregando valores e conceitos únicos que vão ajudar a diferenciar a empresa da concorrência.

Para quem acha que a marca não importa, tem uma historinha famosa dos tempos da antiga União Soviética, quando esta era totalmente comunista e consequentemente não existiam marcas. Reza a lenda que uma das fábricas de televisão do governo possuía técnicos mais experientes e que os aparelhos eram montados com maior qualidade. Esta informação tornava estas TVs mais desejadas.

Mas como diferenciá-las das outras se nenhuma tinha marca? Bem, os “camaradas” descobriram que as TVs feitas naquela dita fábrica possuíam uma numeração de série específica, então quando uma família tinha o privilégio de comprar uma TV, eles varriam as lojas do governo em busca daqueles tais números de série. Neste caso, a marca que transmite a percepção de valor, foi criada espontaneamente. O número de série virou a marca, mesmo que esta não tenha sido uma decisão do fabricante.

Definir com carinho a imagem de uma empresa é uma das tarefas mais importantes a se fazer quando se inicia um negócio. Esta escolha direcionará as ações seguintes para conquistar e manter uma fatia de mercado, o famoso marketshare. Ela também ajuda na construção da imagem com a qual seu negócio será visto e lembrado pelo mercado.

Quando um empresário não toma a iniciativa de escolher a comunicação logo no início, acaba vendo o mercado fazer esta decisão em seu lugar, mesmo contra sua vontade. Para manter o destino do negócio sob controle, não tem jeito, é preciso investir tempo na construção da marca. É necessário dedicar esforços a uma coisa chamada branding, Atividade esta pouco conhecida e menos ainda praticada pelos pequenos empresários.

Existem muitas definições para branding, porém, uma das que eu mais gosto é essa: “Branding é o encapsulamento da declaração de missão, objetivos e alma de sua empresa, expressa através da voz e da estética corporativa”, de Marjorie Clayman.

Na prática, quando olharmos no dicionário mercadológico o sentido da nova palavra que surgiu com o nascimento da marca, deveremos encontrar a essência da missão (da empresa ou do produto) e esta deve traduzir a forma como a nova comunicação deverá ser entendida e percebida pelo seu consumidor.

Então entenda de uma vez por todas: marca importa sim. Sem marca, não existe diferenciação. Ser diferente, mas não comunicar é, no mínimo, um pecado – pra não dizer burrice.

Marcelo Lombardo é sócio fundador da NWG Tech, e criador do Omiexperience, software de gestão para micro e pequenas empresas.

Fonte: ClienteSA

Resultados de alta qualidade

Pode-se dizer que o trabalho com times surgiu de duas vertentes: da necessidade histórica do homem de somar esforços para alcançar objetivos que, isoladamente, não seriam alcançados e da crescente busca por resultados imposta pelo mundo moderno. Há muitos estudos que comprovam cientificamente que os resultados qualitativos e quantitativos do trabalho em equipe é muito mais alto e expressivo do que o esforço individual. Este tema parece ser bastante conhecido e difundido no mundo corporativo, contudo, encontramos times trabalhando de maneira precária, com baixo nível de comunicação e confiança, foco da reflexão que faremos a seguir.

A verdade é que a complexidade do trabalho em time evoluiu exponencialmente com o passar dos anos e a sua dinâmica de funcionamento conta com variáveis que se interdependem e se intercomunicam continuamente. Nas organizações há times multifuncionais, multiprofissionais, multiculturais e consequentemente visões de mundo bastante distintas. O encontro de múltiplas gerações nas empresas compõe mais uma variável de desconforto. Muito comum encontrar nas empresas gestores mais jovens que os membros de suas equipes. Os códigos de conduta e "mind sets" se encontram e se misturam na arena corporativa. Estudos demonstram que a competência de diversidade presente na equipe é um componente muito importante, que eleva a produtividade do time e traz resultados surpreendentes. É muito mais difícil lidar com a diversidade, exige mais debate, o confronto é mais aberto, mas o resultado final é indiscutivelmente melhor.

O fato é que a eficácia de um trabalho em time traz resultados significativos para uma organização. Este tema vem ganhando importância estratégica para as empresas, na medida em que os resultados obtidos alavancam os resultados de um negócio. Um grupo diferenciado traz resultados diferenciados e o oposto também é verdadeiro. A pressão por resultado somado à diversidade e complexidade do trabalho em time pode tornar a convivência corporativa bastante angustiante e frustrante. Uma equipe com baixa produtividade e positividade traz resultados medíocres.

O escasso tempo do executivo somado à alta sobrecarga do trabalho, de certa forma, promove o distanciamento e a superficialidade nas relações. É muito comum visualizar membros de equipes que preferem não se posicionar diante de questões de extrema relevância. Os silos de trabalho, muito comum também nas organizações, estão também presentes em equipes pequenas e grandes, de baixa e alta senioridade, mas nada disto é colocado em evidência.

Neste contexto surge o Team Coaching, diferente do time building não é um evento, é um processo. É uma abordagem de alinhamento e fortalecimento do trabalho com equipes que assegura o desempenho de alto nível. A meta do Team Coaching é melhorar a eficiência da equipe de modo que isto se reflita positivamente em resultados de alta performance para a organização, por meio de uma abordagem que propicie eficiência e foco no resultado, otimizando os recursos disponíveis.

Além disto, a metodologia de Team Coaching propõe uma co-responsabilidade pelo processo de mudança, aprimora a confiança, comunicação e feedback entre os membros da equipe, fornecendo um vocabulário e modelo para um novo modo de trabalhar em equipe.

O Team Coaching, composto por sessões semanais, aposta na ampliação da consciência do time com foco na sustentabilidade das relações ao longo do tempo. Desta forma, podemos ter times com necessidades diversas que vão desde a dificuldade de relacionamentos, conflitos, diversidade cultural, falta de alinhamento, até questões de cunho produtivo com baixo desempenho e posicionamento estratégico.

Em um mundo onde os ventos da mudança sopram constantemente, em ver de ter times que levantam barreiras para se protegerem dos ventos, as empresas precisam ter times efetivos que saibam construir moinhos que vão maximizar os ventos em seu favor.

Silvana Mello é head of coaching pratice da LHH|DBM.

Fonte: ClienteSA

Liderança de diferentes gerações

O grande desafio dos líderes é conseguir resultados e isso só se faz com pessoas, ou seja, por meio do relacionamento. Assim, podemos dizer que o foco em relacionamento é tão importante quanto o foco em resultados. Como, então, construir relacionamentos produtivos com as diferentes pessoas que fazem parte da equipe? E, ainda, como construir relacionamentos saudáveis com pessoas de diferentes gerações?

Discutir esse aspecto é de tamanha relevância, que nos impulsiona, em primeiro lugar, a trazer o entendimento do significado da construção de relacionamento, ou seja, a capacidade de criar vínculos por meio do processo de comunicação, direcionado a um foco comum. Confiança, abertura, empatia, flexibilidade, nutrição e sustentação do relacionamento são algumas das várias competências requeridas.

Então, o primeiro ponto de questionamento está relacionado ao próprio líder, se apresenta, ou não, essas competências, independentemente da equipe que coordena. Desenvolvê-las é o movimento inicial em direção a um bom relacionamento. No entanto, para isso, também é importante a observação das diferenças entre as pessoas, para que a construção dos vínculos seja efetiva. Entre as várias que poderíamos ressaltar, a diferença entre as gerações é bastante instigadora e vale a pena uma breve investigação. Hoje, o líder pode ser ou não da mesma geração que seu colaborador. Não existem regras. A única regra é observar as oportunidades presentes nas diferenças e transformá-las em aprendizado.

Como exemplo, líderes da geração baby boomer (1947 – 1965), quando coordenam profissionais da geração y (nascidos após 1978), têm o grande benefício de aprender com esses profissionais a rapidez, as vantagens da tecnologia, a facilidade para assumir riscos, a vontade de fazer. Por outro lado, esses colaboradores, quando se reportam a líderes baby boomers aprendem a desenvolver mais profundidade, qualidade na fala e na postura, calma na análise e foco em resultados sustentáveis.

Líderes da geração y aprendem muito com colaboradores baby boomers, com sua experiência e conhecimento armazenados e ensinam, conduzindo-os mais rapidamente a novos patamares de desenvolvimento, desafiando o status quo e direcionando-os ao novo.

Assim, tanto profissionais da geração y, como x (1966-1977), ou baby boomers podem ganhar com a troca, com a integração entre os diversos pontos de vista, desde que sejam alinhadas as expectativas e que as competências sejam muito bem identificadas e avaliadas para o resultado a ser alcançado.

No entanto, sabemos que existem problemas nesses relacionamentos. Por que acontecem? Seria possível enumerar vários aspectos, no entanto, os mais comuns são:

– rigidez do ponto de vista (só o que penso está certo);

– desqualificação do profissional pertencente à outra geração;

– ritmos muito diferentes;

– saudosismo;

– dificuldade de escuta;

– dificuldade com hierarquia e disciplina;

– dificuldade em lidar com valores diferentes.

Para lidar com essas dificuldades, precisamos:

– mudar nosso modelo mental, a forma como percebemos o diferente. Ou seja, aceitar o diferente como complementar;

– criar um modelo mental positivo da outra geração;

– escutar ativamente;

– entender as diferenças;

– buscar pontos comuns;

– construir objetivos em unicidade;

– gerenciar as ansiedades dos que esperam respostas e crescimentos mais rápidos;

– valorizar a capacidade de realização de cada profissional;

– receber e dar feedback;

– criar vínculos efetivos de construção.

Resumindo, diferenças de raça, sexo, religião ou geração, sempre estarão presentes nos relacionamentos, em especial entre líderes e liderados e o grande desafio, a sabedoria a ser gestada, é o da construção de relacionamentos saudáveis e produtivos, onde o positivo de cada um seja valorizado, complementando o todo, em um movimento de união de forças.

Fátima Motta é sócia-diretora da F&M Consultores.

Fonte: ClienteSA

A voz da praticidade

Tecnologias de ponta estão cada vez mais presentes no dia a dia das pessoas e no ambiente corporativo. O ser humano vem se utilizando de recursos de informática para realizar uma série de tarefas corriqueiras. Hoje, sequer é necessário usar a voz para transmitir uma mensagem falada. Um robô pode fazê-lo por você. Quem ganha com isso? As empresas e os consumidores, com agilidade e atendimento preciso.

O Text to Speech (TTS) – do inglês "texto para voz" – funciona por meio do uso de um sintetizador de voz para reproduzir artificialmente o discurso humano. Isso é feito pela concatenação inteligente de pedaços de fala gravada. Fonemas, sílabas e até palavras ou frases inteiras podem ser unidas, formando uma mensagem completa. Por exemplo, ao programar o computador para dizer a palavra "lucro", ele une as sílabas necessárias para formar o termo pretendido – neste caso, "lu" e "cro" – e as reproduz em um único áudio.

A qualidade de um TTS está ligada à similaridade com o som emitido por uma pessoa e à capacidade de sua compreensão. Alguns sistemas incorporam até mesmo características próprias do aparelho fonador – responsável pela voz -, proporcionando um resultado ainda mais próximo do real.

Para se ter uma ideia do poder dos sintetizadores, basta usar o caso do físico e cosmólogo inglês Stephen Hawking como exemplo. Portador de esclerose lateral amiotrófica, ele teve os músculos do corpo paralisados, perdendo a capacidade de falar. O cientista se utiliza dessa ferramenta para se comunicar desde 1985 e continua a dar aulas e palestras graças à tecnologia.

Esse recurso é de grande utilidade para contact centers de qualquer ramo de atuação, pois ajuda em diversas etapas durante um atendimento, aumentando a produtividade. Com ele é possível confirmar dados de um cliente e ditar um número de protocolo, sem ocupar um operador com essas tarefas. Integrado a uma Unidade de Resposta Audível (URA), o TTS pode ser implantado até mesmo em uma campanha, personalizando mensagens para uma determinada quantidade de clientes. Muitas empresas já usam essa tecnologia e com isso, aumentaram em aproximadamente 70% a produtividade.

Ariane Abreu é diretora comercial da Total IP.

Fonte: ClienteSA

Como perpetuar uma empresa familiar

Há 48 anos, quando contratei meus primeiros funcionários, jamais imaginei que um dia teria que pensar no destino da empresa, da família e do meu próprio. E também nunca levei em consideração o número de pessoas que passam pelo mesmo dilema. Como fazer com que as atividades envolvidas naquele sonho quase juvenil, lá atrás, se transformem em uma organização eficaz e lucrativa que se perpetue e transcenda o próprio criador?

De acordo com estatísticas do IBGE, quase metade das empresas fecha as portas nos três primeiros anos de existência por falta de planejamento. Mesmo que inconscientemente, todo empresário capaz de escapar dessa triste previsão é obrigado a encarar uma outra realidade, esta inevitável: sua presença na empresa não será eterna e ele precisará preparar o terreno para quando este momento chegar.

No meu caso, felizmente, esse pensamento ocorreu há 20 anos, paralelamente a uma ideia fixa que eu tinha: deixar um legado para meus filhos e netos, que hoje já somam 14. Este legado deveria ser algo de que eles não somente se orgulhassem, mas que servisse como ponto de partida para a evolução e o crescimento de todos. Além disso, eu visava a estimular uma união familiar que perdurasse por gerações e chegasse a superar outra estatística, a de que apenas cinco empresas sobrevivem de cada 100 abertas ao chegarem na 3º geração.

E o que foi que eu fiz? Comecei a preparar o meu sucessor trazendo-o para o próprio universo corporativo, além de preparar a empresa para a sucessão. Por que planejar tudo isso com 20 anos de antecedência? Porque experiência não se adquire em MBAs. Há de se percorrer um longo caminho para se ter a vista de lá. "Nada substitui a experiência", me disse uma vez Alain Belda, na época CEO e Chairman da Alcoa quando lhe perguntei o que de mais importante havia aprendido no comando de milhares de pessoas em todos os cantos do planeta.

E o que poderia ser feito? É simples: é impossível construir um prédio de cima para baixo. Parece óbvio, mas algumas empresas têm ignorado esta lei básica. As fundações de uma obra, que evoluem por meses e podem dar a impressão de que uma construção está parada, são a base para um edifício sólido e duradouro. Sem elas, o prédio vem abaixo quando a estrutura não mais aguenta seu peso. As fundações, numa empresa, são seus valores e princípios. E seu propósito. Fundações são essenciais – é o ponto de partida, mas não é o suficiente. Quantos prédios inacabados a gente vê por aí, interrompidos nesta parte inicial do processo de construção?

E a grande pergunta é "o que exatamente deve ser feito para criar um negócio perene?". Salvo honrosas exceções, o foco da maioria dos empresários está no difícil processo de vender, produzir e entregar. Esse processo se constitui na locomotiva de crescimento de qualquer empresa, claro, e é natural que todo mundo se foque nele. Mas são os processos de retaguarda, ou BackOffice, que dão sustentação ao crescimento gerado pelas vendas, que é onde tudo começa. O problema é que o BackOffice não agrega valor ao negócio numa análise superficial, e é um processo complexo e trabalhoso. Pelo menos para mim, sempre foi. Estou falando de setores como Administrativo, Financeiro, Tributário, Trabalhista, DP, Fiscal, Contábil, RH, Infra, TI e Telecom, Trabalhista, Recepcionistas, GRC (Governança, Risco e Compliance), Motoristas e por aí vai. Eles não têm o glamour que Vendas e Produção têm, da mesma forma que em um jogo de futebol quem leva os louros são os goleadores. Os goleiros só viram manchete quando levam um frango. Ou quando viram um Rogério Ceni.

Bem, os políticos já descobriram isso faz tempo. Recapeiam as ruas inúmeras vezes (por que você acha que eles nunca aprovam pavimentação de concreto armado, que dura mais de 30 anos sem manutenção?), mas não investem em projetos de saneamento básico, que não aparecem e não trazem votos. Esgoto não tem glamour. Mas tente ver o que acontece numa empresa quando há um problema de encanamento em um banheiro ou de ar condicionado em uma sala de reuniões. Parece pouco, mas na prática, situações simples como essas podem se tornar grandes transtornos.

Há 20 anos, eu me deparei com esse impasse. E optei pelo caminho inverso. Investi todos os recursos gerados pela própria empresa, de forma incansável, no fortalecimento da retaguarda. A este investimento se soma a parte mais difícil: a construção de uma equipe extraordinária, composta de talentos colecionados ao longo de muitos anos.

A melhor parte desta história é que sucessão está acontecendo sem sobressaltos. A transição será feita por opção, e não fatalidade. Passarei o bastão para meu filho Ron enquanto estou em plena forma física e mental, podendo ainda atuar como conselheiro por um bom tempo. Assim, concluo dizendo que não existe uma fórmula pronta para a questão da sucessão, mas existe sim um caminho seguro e saudável que é investir no próprio processo, tornando-o sustentável. Creio que assim tudo se tornará mais fácil para um desafio árduo que muitos empresários têm confrontado há anos: como perpetuar uma empresa familiar.

Jimmy Cygler é CEO da Proxis.

Fonte: ClienteSA