Desde 1987 conectando marcas e fornecedores

Quando a Administração não administra

Em sermão feito no século XVII (Sermão de Santo Antônio), Padre Antônio Vieira (1608-1697) fez uma menção ao papel que os pregadores possuem, ou seja, o de impedir a corrupção da Terra. Nesse mesmo sermão, Padre Antônio também faz uma crítica à ineficácia da atuação dos pregadores naquele tempo, citando algumas causas dessa ineficácia:

1. O sal (pregadores) não salga (diz a verdade);

2. A terra (ouvintes) não se deixa salgar (aceitar a verdade);

3. Os pregadores agem contra aquilo que pregam;

4. Os ouvintes preferem agir como os pregadores e agir contra o que estes pregam;

5. Os pregadores pregam a si e não a Cristo;

6. Os ouvintes procuram seguir seus próprios apetites.

Por analogia, na Administração, a situação é mesma: não basta ao Administrador ter conhecimento. Também são necessárias habilidade e atitude na condução do negócio aliadas à crença no sucesso deste e consubstanciadas com uma conduta ética. Essa é a essência da profissão.

Por sua vez, o problema de uma decisão equivocada se agrava quando proveniente da Administração Pública, visto que o resultado de suas decisões impacta sobre toda a coletividade.

Segundo a nossa Constituição Federal preceitua no caput de seu art. 5°, todos são iguais perante a lei. No entanto, tal igualdade só é plenamente alcançada quando se tratam igualmente os iguais e desigualmente os desiguais. Para tanto, o Estado deve efetivá-la pelo provimento de direitos socais (justiça distributiva) e pelo exercício da função jurisdicional (justiça comutativa).

Contudo, quando observamos a nossa realidade nacional, notamos uma série de disfunções que contradizem os postulados constitucionais, sobretudo em relação aos direitos fundamentais (básicos) do ser humano. São casos de educação e saúde públicas precárias, insegurança pública e falta de assistência aos desamparados. Some-se a isso a miopia gerencial que se observa na priorização e aplicação de gastos públicos, tais como os decorrentes de eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas, enquanto carecemos de elementos estruturais que conduzam o país ao desenvolvimento sustentável, como infraestrutura adequada de energia elétrica, telecomunicações, transporte de cargas e de passageiros e formação de recursos humanos em quantidade e qualidade suficientes para os desafios oriundos desse modelo de desenvolvimento econômico-social.

Em relação à segurança pública, a nossa Lei Fundamental deixa bem claro em seu art. 144 que se trata de dever do Estado. Porém, quando nos deparamos com a sensação crescente de insegurança que toma conta dos principais estados-membros brasileiros (São Paulo e Rio de Janeiro), parecem ressoar as palavras de Padre Antônio Vieira em seu Sermão de Santo Antônio de que o sal não salga.

Tomemos o caso do Rio de Janeiro. O orçamento estadual aprovado para este ano prevê gastos de cerca de R$7,5 bilhões de reais para a segurança pública, superiores aos gastos previstos para a pasta da saúde pública fluminense, cerca de R$5 bilhões. Como consequência desse volume de recursos, as polícias civil e militar fluminenses dispõem de recursos materiais e imateriais similares aos de algumas das principais forças policiais do mundo, a começar pelos seus serviços de inteligência, credenciando o Estado do Rio de Janeiro à organização de eventos como Copa do Mundo, Olimpíadas e Jornada Mundial da Juventude. Apesar disso, o Rio de Janeiro possui algumas das comunidades mais perigosas do país, dotadas de níveis de violência similares aos de zonas de guerra.

Para reiterar os contrastes envolvendo a segurança pública fluminense, temos a escalada do tráfico de drogas em comunidades não “pacificadas” pelo estado, fruto da migração de traficantes expulsos de territórios ocupados por Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). Para agravar tal problema de segurança pública, observa-se a escalada do tráfico de crack, a droga da morte, em regiões periféricas da capital e da baixada fluminense, chegando ao extremo de existirem cracolândias a poucos metros de delegacias e postos de policiamento. Em síntese, o Estado do Rio de Janeiro tem um orçamento de, aproximadamente, R$12,5 bilhões para ações de segurança e saúde que salgam cada vez menos devido ao rastro de insegurança, sujeira e degradação da saúde de usuários deixado pela droga da morte.

Diante do exposto, está na hora de nós, sociedade civil, governos e empresas, pormos em prática as palavras de Sua Santidade o Papa Francisco e nos tornamos atores e autores de um mundo melhor. E isso passa pelo desenvolvimento de um senso de alteridade e colaboração que leve em conta o bem-estar de todos. Somente assim, seremos capazes de desconstruir a cultura de indiferença e construirmos um modelo de desenvolvimento sustentável para o nosso país.

Por derradeiro, no que tange às disfunções da Administração Pública no exercício de seu poder-dever de agir, também é dever de cada um de nós fiscalizarmos e coibirmos possíveis desvios da Administração. Para tanto, instrumentos como Ação Popular e Ação Civil Pública, sendo esta de iniciativa do Ministério Público, estão à disposição do interesse público. Quanto ao papel do Ministério Público, sobretudo os estaduais, também cabe corresponder ao apoio que a população lhe deu na derrubada da PEC 37 e exigir do Poder Público ações mais efetivas no combate à violência e no provimento da justiça distributiva.

Um forte abraço a todos e fiquem com Deus!

Fonte: Administradores

Quatro pilares para o sucesso

“Cabeça é o que faz a diferença entre o campeão e os outros.”(Arthur Zanetti, ouro nas argolas na Olimpíada de 2012)

O Brasil derrotou a Espanha, de forma incontestável, na final da Copa das Confederações. Contudo, o resultado inverso também poderia ter ocorrido. Quais lições podemos extrair deste episódio em analogia com o mundo corporativo?

Seja no esporte ou em outros cenários, há quatro pilares fundamentais que norteiam a busca pelo almejado sucesso.

O primeiro pilar é o aspecto físico. Atletas precisam estar bem preparados fisicamente, o que demanda repouso adequado, alimentação funcional e condicionamento físico.

O segundo pilar é técnico, envolvendo desde a compreensão das regras do jogo até os constantes treinamentos para desenvolvimento de habilidades.

O terceiro pilar é tático e está relacionado à estratégia. Trata-se da maneira como um atleta planeja sua série pessoal, em um esporte individual, ou como um treinador organiza sua equipe, em um esporte coletivo, possibilitando, por exemplo, que um grupo com talentos individuais medianos suplante uma equipe formada por grandes craques.

Todavia, é o quarto e último pilar que faz toda a diferença: o aspecto psicológico. Foi ele que fez Diego Hypólito, bicampeão mundial de ginástica no solo, cair durante sua apresentação em duas Olimpíadas consecutivas. Foi ele que impulsionou a seleção canarinho ao som de mais de 70 mil pessoas, obscurecendo o entrosamento e o favoritismo dos espanhóis.

Esta semana, em um jogo pela Recopa Sul-Americana, o técnico do São Paulo Futebol Clube, Ney Franco, diante da derrota para a equipe do Corinthians, comentou: “Nosso posicionamento tático foi similar ao do adversário. Porém, cometemos muitos erros técnicos, em especial de passes e saídas de bola. Eu, enquanto treinador, não posso entrar em campo para dar um passe.” Ao dizer isso, ele transferiu a responsabilidade pela derrota do âmbito tático (atribuição do treinador) para o técnico (prerrogativa dos jogadores). Com isso, gerou um ambiente insustentável que levará certamente à sua demissão, pois psicologicamente não há mais clima emocional para a convivência harmoniosa entre comissão técnica e atletas.

No mundo empresarial, vale o mesmo princípio. A dimensão física é representada pelo ambiente corporativo, desde sua infraestrutura até a importante integração de um novo funcionário aos demais colaboradores quando de sua admissão. O fator técnico está simbolizado pela descrição do cargo e da função. O tático, pelo sistema de gestão adotado pela empresa. E o psicológico, pelas atitudes, tanto de líderes quanto de liderados. Líderes que, tal qual Felipão, sabem desenvolver empatia e estabelecer conexão emocional com sua equipe, exercendo autoridade, porém sem recorrer ao autoritarismo. Liderados que se envolvem, que se comprometem, que se entregam integralmente, de forma espontânea, autêntica e apaixonada.

Um último exemplo, dentro do contexto da segurança no trabalho, área na qual milito. O aspecto físico é dado pelo uso de EPIs e EPCs (equipamentos de proteção individual e coletivo). O técnico, pelas normas e procedimentos estabelecidos pela área de medicina, saúde e segurança no trabalho, algumas vezes em sintonia com o RH da empresa. O tático, pela gestão de saúde e segurança ocupacional. Mas, novamente, é o aspecto psicológico que faz toda a diferença. Por isso, a busca pelo índice de zero acidente em uma organização passa pela sensibilização de todos os funcionários de modo que uma vez paramentados, treinados e orientados, assumam uma atitude protagonista capaz de contribuir para a segurança individual e coletiva no ambiente de trabalho.

Fonte: Administradores

Ser pessimista dá muito trabalho

Constantemente, converso com pessoas que estão infelizes em algum aspecto de suas vidas. Seja no relacionamento familiar/amoroso, no trabalho, com a profissão que escolheu, com o país onde vive…Enfim, os motivos são os mais diversos. O fato é que existe algo incomoda, que tira a paz e muitas vezes, ofusca a nossa missão: viver a partir de nossas próprias escolhas. Até mesmo os acomodados, eles escolheram não fazer nada! Simples assim.

Viver é escolher! O tempo inteiro, consciente ou inconscientemente, estamos fazendo escolhas. Vamos fazer um teste? Você programa o despertador para tocar às 06:00 da manhã, pois às 08:00 você tem que estar na empresa onde trabalha, quando ele toca, subjetivamente, ele está dizendo: hora de levantar, o trabalho te chama. Logo, você decide sair da cama ou continuar nela. Seja qual for à razão que leve você a trabalhar, naquele momento, a ação a ser realizada é fruto da sua decisão, portanto, processo de escolha em xeque.

Infelizmente, a maioria das pessoas tem o hábito de culpar alguém por algo que não está bem. Exemplos?

1- A política no Brasil é uma vergonha! Os políticos não defendem os direitos do povo! (Concordo) Mas quem elegeu os políticos? A maioria dos eleitores brasileiros.

2- A empresa que eu trabalho não me valoriza! Sério? E por que você mesmo não faz isso? Só existe uma empresa para se trabalhar? Será que não passou da hora de você fazer novas escolhas? Enxergar novas possibilidades?

3- Meus professores não ensinam nada! E por que você não busca o conhecimento de outras formas?

Caros leitores, o que quero mostrar com esses exemplos é que em tudo na vida existem várias e inúmeras possibilidades, e escolher é indispensável.

Entretanto, muitos resistem a assumir a função “eu sou o único responsável pelas minhas escolhas” e inconscientemente, optam em viver reclamando, pois é mais fácil e confortável para o ego, colocar a culpa em algo ou alguém pelas coisas não estarem muito bem. Mas isso não é tudo. Depois do status “ mais uma vítima do sistema”, ainda tem a cultura pessimista (nada para mim dá certo, isso nunca vai mudar, a política no Brasil nunca será democrática de verdade, meu marido nunca irá mudar, minha vida não tem jeito…). Triste notícia: tudo isso é verdade! Sabe porquê? Porque você já desacreditou do poder de fazer escolhas, em sair da zona de conforto, de recomeçar, de se reinventar, quebrar paradigmas! Tudo começa a partir do pensamento. Quer ver? Experimente tomar uma decisão no calor da emoção (se imagine com muita raiva ou decepcionado com algo ou alguém).

Pensamento negativo à Sentimento negativo à Ação negativa

Aí você respira, o humor se acalma, repensa e possivelmente, consegue perceber outra possibilidade de escolha, que com certeza será mais assertiva. Faz sentido para você?

Aonde eu quero chegar? Quero te dizer que: ser pessimista dá muito trabalho e nos priva de vivermos em paz consigo e com os outros, além de propiciar uma perca incrível de tempo para buscar novas soluções. Pessoas pessimistas geralmente, são: "reclamonas", desagradáveis, baixo astral e por que não dizer insuportáveis. Que o mundo não é perfeito, todo mundo sabe, mas nem por isso nós devemos deixar de enxergar o lado bom dos acontecimentos, pois tudo na vida é aprendizado e é necessário inclusive, aprender com as escolhas erradas que fizemos.Tudo isso faz parte!

“A vida é a soma das suas escolhas.” (Albert Camus)

Talvez você ainda não tenha tomado essa consciência, mas somos autores e protagonistas de nossas histórias. Nunca se esqueça disso!

Fonte: Administradores

Se fosse pra ser fácil, nada aconteceria

A vida é feita de fases ( …é como no videogame). Os obstáculos que estão em cada uma delas servem, senão, para nos fortalecer e nos ensinar que coisas maiores ainda podemos alcançar.

Não sei exatamente em que fase você se encontra. Mas aprenda nesta fase a superar as barreiras, a esquivar-se das pedras que estão sendo lançadas e a saltar as muralhas que estão a sua frente.

Você está na fase da procura do emprego tão desejado? Está na fase da universidade, das noites mal dormidas, das listas de exercícios e das provas inacabadas? A fase é o novo empreendimento que necessita de atenção, cuidados e o planejamento essencial bem detalhado?

Não importa qual seja a fase, são elas que nos conduzem ao sucesso!

Você está procurando emprego há meses e ainda não encontrou a oportunidade tão desejada? Responda-me, o que você tem feito para que este emprego seja conquistado? Tem acordado cedo todos os dias para levar o seu currículo às empresas? Tem estudado (lido, ensaiado..) o suficiente para estar apto na entrevista?

Você que é estudante universitário, tem estudado com afinco as disciplinas? Está cansado, por pensar que não chegará o fim? O que você tem feito a mais que os outros? Qual tem sido o seu diferencial?

As respostas só a partir do examinar a mim mesmo podem tê-las!

O importante é sabermos que precisamos superar cada barreira que a vida tem nos colocado. O atleta passa horas e mais horas em constante treinamento, fazendo os repetidos exercícios, todos os dias, ele não alcança o pódio do nada! As conquistas são frutos das grandes entregas. Quando não há preparação, sacrífico, entrega, vontade, quando tudo isso falta, o resultado vindo logo se desfalece por não encontrar o alicerce necessário. Só a exaustão leva a perfeição. Só o trabalho dignifica o homem!

O primeiro passo é sonhar. O segundo é acreditar em sim mesmo, após isso você conseguirá dar o terceiro, quarto… os [n] passos necessários para a realização dos seus objetivos.

Contudo, após todas estas coisas, verás que a luta ainda não acabou, mas que estarás preparado para ir até o final.

Até quando esta batalha será travada? Não sei.

Depende, unicamente, do tamanho de seus sonhos!

Fonte: Administradores

A mania de filho pródigo pode ser perigosa

É fato que em uma sociedade capitalista a busca pelo prazer imediato e a satisfação da pseudonecessidade é o que comanda as relações de consumo, consequentemente a demanda por dinheiro aumenta na medida que nossos desejos nascem, crescem e morrem, leia-se, concluam-se. As ações de marketing, notadamente as agressivas, não no sentido pejorativo da palavra, são as grandes responsáveis pelo consumo desenfreado, claro que não se isenta de culpa o consumidor inconsciente. Ainda que exista aquele romantismo de consumo sustentável por parte das empresas, o que elas querem na verdade, é vender e vender mais, muito mais e nós administradores sem hipocrisias, estamos estudando e trabalhando dentre outras finalidades também para isto.

Vamos atravessar a fronteira do empresário e adentrar na área do consumidor, algo que todos nós somos, seja mais leve ou mais intenso. É notável que falta ao brasileiro o mínimo de educação financeira e ela não serve apenas para ser conversada nas salas de aula, a educação financeira é um dos assuntos mais influenciadores do dia-a-dia do que muitos outros, pois o pobre e o rico tem a necessidade de usá-la das mais diversas formas. Ao contar as moedas para o almoço no R.U. (Restaurante Universitário) ou planejar a compra do carro, estamos lidando com as regras da saúde financeira que cada indivíduo possui.

O planejamento financeiro é algo muito valioso, pois trata da melhor utilização de recursos que são escassos, envolve decisões, ponderações, análises dos efeitos, custo-benefício e outros. Se todo brasileiro pensasse antes de gastar o suado dinheiro as taxas de endividamento seriam bem menores e por consequência as de inadimplência. Contudo o que se vê é exatamente o contrário, as pessoas gastam o que não tem, endividam-se, sofrem as consequências das dívidas e como resultado, perdem a qualidade de vida em vários aspectos. Existem muitos livros de educação financeira todos falando a mesma coisa de maneira diferente, mas não existe fórmula mágica para ser uma pessoa planejada, criteriosa e que tenha a saúde financeira em dia: gaste menos do que recebe, poupe e faça este dinheiro render, para melhorar reduza seus custos ou aumente suas receitas, simples assim.

O triste e cômico algumas vezes, é ver as pessoas gastarem o que não tem, comprando o que não pode, para impressionar pessoas que não gostam. Não é raro ver as pessoas te olharem de modo meio estranho quando você é equilibrado e racional nos seus gastos, é tido até como avarento e este tipo de reação chega até inibir atitudes corretas na hora do consumo. A ciranda da aparência a todo custo em detrimento do ser é muito perigosa. A busca pelo luxo e a necessidade de ostentação fazem com que muitos no futuro caiam em ciladas do próprio jogo financeiro. Não é errado querer “o que é bom”, pelo contrário, está mais que certo, no entanto o bom senso e ter consciência das suas possibilidades naquele momento continua sendo o ideal.

Fonte: Administradores